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QUE TIPO DE ÉTICA ADOTARMOS?

O título deste artigo parece estar errado. Pois será que existem “tipos” de ética? Será que a própria palavra ética, pela sua abrangência, não abarca o seu sentido pleno. Será que ela – a palavra – precisa de um complemento para ser ainda melhor entendida e definida?

O título deste artigo parece estar errado. Pois será que existem “tipos” de ética? Será que a própria palavra ética, pela sua abrangência, não abarca o seu sentido pleno. Será que ela – a palavra – precisa de um complemento para ser ainda melhor entendida e definida?


Vamos discorrer sobre este assunto.


Imagine uma pequena empresa que esteja passando por séria crise financeira, e o seu proprietário tem o seguinte pensamento: “Não vou demitir pessoas que ajudaram a empresa a crescer. Passaremos juntos por esta dificuldade”. Esta é uma atitude ética. É a denominada “ética da convicção”, também conhecida por “ética dos princípios”.


Decorridos alguns meses esta mesma empresa chega a uma situação insustentável, e o proprietário muda de pensamento: “Vou ter que demitir meus funcionários mais antigos (que tem melhores salários), para poder manter a empresa. Se eu não fizer isto a empresa vai à falência e terei que demitir todos os funcionários”. Esta também é uma atitude ética. A denominada “ética da responsabilidade”.


E agora? Como ficamos? Nos dois exemplos citados verificamos que, em momentos de crise na empresa, demitir é uma atitude ética, e também não demitir é uma atitude ética! Mas como? Será que a ética, como se diz no interior, “dança conforme a música”? Nestes exemplos, sim. Nestes casos a ética é circunstancial.


Mas será que não existe um tipo de ética inalterável? Isto é, uma ética que impõe a mesma atitude não obstante diferentes sejam as circunstâncias?


Felizmente existe este “tipo de ética” inalterável. E o objetivo deste artigo é reforçar qual é este especial “tipo” de ética. Antes, dois relatos:


O primeiro relato:


(*) Na primeira década deste milênio a valorização dos funcionários passou a ter discurso e procedimentos mais adequados. Empresas conscientes passaram a agir com maior responsabilidade social e comunitária. Um exemplo: alguns anos antes da crise mundial de 2008, a Volkswagen do Brasil precisou demitir 3.000 funcionários. Houve retração no mercado automobilístico e não havia ocupação para esse número de colaboradores. Num gesto solidário a Volkswagen criou um grupo de trabalho e um sistema para dar todas as garantias possíveis aos futuros demitidos. Estes seriam preparados para ocuparem vagas em outras empresas. Enquanto o novo emprego em nova empresa não surgia, haveria por tempo determinado treinamentos gratuitos, pagamentos de salários (sem estarem trabalhando!). Enfim, foi uma das idealizações mais perfeitas visando o bem estar do funcionário desempregado. A Volkswagem foi ética, utilizou-se da ética da responsabilidade.


O segundo relato:


Óbvio que, no exemplo anterior, não obstante todos esses esforços, nem todos os empregados conseguiram colocação no mercado, mas isto não era problema da Volkswagen. Ela estava fazendo sua parte. Se o empregado, com todo esse esforço de preparação prévia, não conseguisse emprego novo, o problema passava a ser do funcionário. A Volkswagen podia “lavar suas mãos”. Tinha feito sua parte. Não obstante a atitude diferenciada da Volkswagen (que merece respeito, pois poucas empresas assim agem) ela não enxergou cada funcionário como um indivíduo, isto é, ela não enxergou que os funcionários que ficaram desempregados são pessoas, com família, com filhos e com necessidades próprias e, por isto, cada um dos funcionários merece amplo respeito e a devida valorização, desde que o funcionário, lógico, faça por merecer, pela sua integridade e comprometimento com a empresa.


Vejamos outro caso de demissões de funcionários:


Há alguns poucos anos uma pequena empresa da cidade de Sorocaba-SP, de nome Aster Produtos Médicos, precisou demitir 30 funcionários. Era uma empresa com apenas 100 funcionários e, como houve retração no mercado, não havia mais espaço para esses 30 colaboradores. Mas, felizmente, seus líderes faziam parte do ainda seleto grupo que aplica o tipo de ética inalterável. Qual foi a atitude dos líderes? Fizeram mais do que a Volkswagen fez. Primeiramente demitiram os 30 funcionários e com isto passaram a ter uma empresa enxuta e lucrativa com 70 funcionários, mas – aqui está a diferença – abriram uma nova empresa com um novo foco de mercado e contrataram os 30 funcionários que tinham sido demitidos!


O interessante é que esta nova empresa não surgiu para aproveitar uma oportunidade de mercado. Na realidade o mercado era restritivo. Essa nova empresa surgiu, principalmente, para gerar empregos aos 30 demitidos. O que ocorreu com este procedimento? Os 70 funcionários da primeira empresa motivaram-se pela decisão dos líderes, sentiram-se seguros, perceberam que podiam confiar em seus líderes, pois seus colegas tinham sido demitidos, mas uma nova empresa foi aberta principalmente para abrigá-los; por outro lado os 30 funcionários da recém-criada empresa, também se motivaram, sentiram-se valorizados e perceberam que podiam confiar nos seus líderes.


Conclusão, passados alguns anos, as duas empresas duplicaram o número de funcionários e passaram a ter expressiva penetração no mercado nacional.


Vimos que a Volkswagen do Brasil utilizou-se da ética da responsabilidade, que, não obstante tenha criado condição para muitos funcionários arrumarem novos empregos (em outras empresas), teve o seu lado negro, pois deixou centenas de pessoas desempregadas; a Áster Produtos Médicos, que arrumou nova colocação a todos os empregados demitidos, adotou a ética recomendada por Bezerra de Menezes, que afirma: “(**) (esta) é a etapa da fraternidade, na qual a ética do amor será eleita como meta essencial, e a educação como passo seguro na direção de nossas finalidades”.


Portanto, nesta nova etapa da humanidade as excludentes éticas dos princípios e da responsabilidade, que saltitam distantes uma da outra, passam a dar as mãos para seguirem um só caminho. Doravante não mais princípios de um lado e responsabilidade do outro, mas, sim, ambos juntos formando a base da ética inalterável que vai nortear esta nova era: a ética do amor ou a ética de Jesus.

(*) Livro “Liderança Saudável”, Editora Planeta, Alkindar de Oliveira
(**) Livro “Seara Bendita”, Editora Dufaux, psicografia de Wanderley Soares de Oliveira e Maria José Soares de Oliveira, diversos espíritos.