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O céu e o inferno na concepção das religiões

Álvaro Augusto Vargas

As duas correntes religiosas dominantes hoje no mundo são o Catolicismo e as Igrejas Reformadas (32,0%) e o Islã (22,5%), respectivamente. Ambas pregam a existência do céu como a morada celestial para os justos e o inferno como local de sofrimento eterno para os “pecadores”. Interessante que nestas duas correntes religiosas, a base foi o judaísmo, que justamente não admite o inferno como local de sofrimento eterno, mas sim como um período de depuração transitório para as almas pecadoras, não mais de um ano de acordo com alguns estudiosos. O Catolicismo cedo compreendeu o grande equívoco em ter um inferno eterno, e tentou remediar o erro ao longo dos séculos em discussões internas da igreja até passar a adotar a partir do ano de 593 o purgatório como local de transição das almas pecadoras que são resgatadas mais tarde pelos anjos de modo a habitarem o Céu. Estão ação da igreja sem dúvidas foi um avanço, buscando aproximar-se do Cristianismo primitivo, que sempre pregou a existência de um Deus bom e justo, e não um Deus inflexível que condena as almas para o fogo eterno.

O céu na concepção dos católicos e igrejas reformadas é um paraíso, local de plena adoração a Deus, habitado por anjos e apenas as almas dos justos permanecem em eterna contemplação ao Altíssimo. Neste aspecto é bastante diferente do mencionado pelo Islã, que promete como paraíso para os homens fiéis e bons, 72 virgem para cada um. Não está claro se estas “candidatas” teriam realmente interesse em aceitar este tipo de união no paraíso. Além disto, considerando a proporção no mundo entre homens e mulheres em igual número, em torno de 50% para cada grupo, estaria criado uma grande dor de cabeça para Deus em achar as 72 virgens para cada justo que alcançasse o paraíso, se isto realmente fosse realidade. O mais intrigante é que no Islã o mulçumano pode se casar no máximo com quatro esposas (e em alguns países como a Turquia, apenas uma esposa), por que então teria de aumentar de quatro para as 72 virgens quando chegasse ao paraíso? Além disto, é bem provável que estas quatro esposas não iriam concordar com este consórcio.

Considerando que somado estas duas correntes religiosas, ambas representam quase 60% na população mundial, não deixa de causar certa perplexidade à aceitação destes paraísos por parte dos fiéis, o que atentam contra o bom senso, sem que isto provoque um questionamento maior sobre a sua viabilidade. Temos de observar que face aos avanços científicos da época atual e o nível de informação disponível associado à intelectualidade acentuada do homem moderno, tanto o paraíso apresentado pelos católicos e igrejas reformadas, um local de eterna contemplação, isto seria extremamente monótono e improdutivo para o homem de hoje. Da mesma forma, o paraíso com as 72 virgens dos mulçumanos exacerba a valorização da sensualidade humana e não faz nenhum sentido, pois para ser realmente um homem de bem, este deve ser no mínimo capaz de disciplinar a sua própria sexualidade. Ambos “céus” realmente não encontram justificativas racionais para a sua aceitação em qualquer análise crítica que possa ser feita. A possível explicação porque os adeptos destas correntes religiosas ainda possam aceitar estes “paraísos” é uma ausência de analise racional sobre esta questão, mantidos que são em uma fé cega, que os afasta de Deus e tem gerado tantos conflitos entre as religiões.

 

Felizmente o Espiritismo, Consolador prometido por Jesus há 2000 anos, resgatou a racionalidade na fé religiosa. A fé cega de antes deu lugar a fé raciocinada, onde ao fundir a ciência e a filosofia junto à religião, apresentou um roteiro lógico que potencializa o bom senso nas análises da problemática humana, com explicações racionais, coerentes com a época atual. De forma simples, explica que o Deus criou os Espíritos simples e ignorantes, e que através do tempo (milhões de anos), o espírito pelo seu livre arbítrio, pode escolher o caminho evolutivo indo mais rápido ou a passos mais lentos, de modo a desenvolver a sua intelectualidade e moralidade, tanto na erraticidade (mundo espiritual) como reencarnando na Terra e em outros planetas igualmente habitados até atingir a sua perfeição (Espírito puro). Tudo que fazemos reverte em nossa direção, através das leis perfeitas de Deus (ação e reação). A compreensão do Espiritismo com certeza mudará de forma significativa o comportamento de toda a humanidade.