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Além da Solidão

Os seres humanos, gregários por natureza, buscam-se uns aos outros para o convívio e os relacionamentos, como necessidade básica de interação e troca. A vida humana se dá principalmente por todos os tipos de intercâmbio entre os membros da sociedade.

Muitas vezes, apesar de ter companhias exteriores, o homem, perplexo, se depara com a solidão.

Desconfortável, a sensação de solidão apresenta inúmeras nuanças e reflete diferentes estados anímicos. Há pessoas que se incomodam com pequenos períodos em que não contam com a companhia de alguém, enquanto outras permanecem tranquilas mesmo quando sozinhas por longo tempo.

É o estado da alma que determina o que alguém sente quando sozinho. Se a pessoa está relativamente em paz e conquistou a harmonia interior, sente-se confortável consigo mesma, tanto quanto na companhia das demais pessoas. Já o indivíduo carente, conflituoso ou em desequilíbrio, quando sozinho sente mal-estar, tanto maior quanto mais intensa a desarmonia. Há casos em que o ser sente tanto desconforto com a solidão que precisa buscar indiscriminadamente a presença dos outros para preencher seu vazio interior e camuflar, momentânea e superficialmente, seus conflitos íntimos. Esse tipo de relacionamento, quando ocorre, não é saudável nem honesto, pois procura-se usar a outra pessoa para suprir uma carência, e não para uma relação construtiva e criativa, na qual as trocas seriam enriquecedoras.

Quem se sentir sozinho, carente de complemento afetivo, e não conseguir suprir seu vazio, além do indispensável mergulho no autoconhecimento para descobrir-se, pode superar a solidão através da autodoação, envolvendo-se em tarefas de cooperação e serviço para auxiliar os irmãos necessitados. Não que se deva buscar algum serviço esperando pela compensação afetiva, mas pode-se descobrir, a partir de si mesmo, um fluxo de amorosa doação que, ao ser exercitado, traz o preenchimento emocional e a plenitude da alma.

Como diz sabiamente o espírito Joanna de Ângelis “quem é solidário não é solitário”. O amor a Deus, expresso na caridade ao próximo preenche a alma na alegria de servir.

A solidão se expressa de várias formas. Há casos em que o presente estado de privação afetiva deve-se a experiências infelizes de encarnações pregressas, nas quais a criatura abusou dos sentimentos alheios, e agora passa por um período solitário para refletir e aprender a valorizar as relações que anteriormente desprezou.

Em outras situações, a solidão pode ter sido uma escolha do espírito antes de reencarnar, para que pudesse, ao longo de um período mais ou menos longo, desenvolver um relacionamento mais profundo e verdadeiro consigo mesmo.

Existem almas que, após encarnações em que experimentaram grande extroversão e intenso convívio social, regressam à matéria em situação de relativo isolamento, para cultivar valores internos e reciclar o conteúdo psíquico através de maior introspecção.

A solidão relativa na forma de celibato pode favorecer a ampliação dos laços de afeto além dos círculos estreitos da família consanguínea. Alguém que tenha tido em existências passadas experiências exclusivistas quanto à manifestação do amor aos parentes pode voltar ao cenário humano sem formar uma família, para aprender a expandir os vínculos de afeto, em exercício de amor mais abrangente.

Missionários espirituais reencarnam na Terra com importantes tarefas que requerem completa dedicação, por isso mesmo deixam de constituir família consanguínea para se doarem à grande família humana. Naturalmente experimentam períodos de solidão, que sabem aceitar com harmonia e paz, pois preenchem suas vidas com amor e trabalho.

Não se deve buscar deliberadamente a solidão, principalmente se há alguma tendência ao isolamento ou à depressão, pois nesses casos o afastamento do convívio social agravaria a situação.

A solidão patológica, aquela que reflete o ensimesmar-se e a fuga dos relacionamentos sociais, necessita de adequado tratamento psicoterápico, além das orientações de natureza espiritual que possam ser úteis no reequilíbrio psicossocial do paciente.

Importante compreender a diferença entre estar só e sentir-se só. Pode-se estar só e não se sentir só; por outro lado, mesmo em companhia, pode-se sentir sozinho. É a diferença entre a angústia da solidão e a paz da solitude. Na solitude o estar só é a busca saudável e enriquecedora para conhecer-se, refletir e definir rumos libertadores à própria vida. A oração e a meditação são exemplos de harmoniosa solitude.

Lembremo-nos do Evangelho, que nos apresenta o Mestre muitas vezes em meio à multidão que O buscava, e em outras ocasiões afastado para orar em solitário silêncio.

Os testemunhos, provações e lições mais importantes da vida – embora sempre tenhamos auxílio de muitos irmãos – é um processo solitário, pois cabe a cada um passar pelas experiências individuais necessárias ao processo evolutivo.

A solidão é um fenômeno psicológico, de percepção subjetiva, pois na verdade nunca estamos sós. Sempre somos acompanhados pela presença física ou pelos pensamentos, emoções e sensações de seres, encarnados ou não, com os quais sintonizamos.

Acima de tudo, temos a permanente companhia do Criador que, imanente, está sempre dentro de nós manifestando-se como a nossa própria vida. Aqueles que descobriram a Divina Presença dentro de si mesmos nunca mais se acham sozinhos, pois sentem-se mergulhados no Oceano Cósmico da Vida. Eis nosso destino feliz, em que nos sentiremos todos pertencentes à família universal, em plenitude de vida e permanente companhia do amor.

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