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Jornada da alma – A evolução do amor

Falar de amor é falar da vida, pois é inconcebível a existência sem o amor. Tema inesgotável, qualquer coisa que se diga a respeito será sempre incompleta e imperfeita, pois, muito além das palavras, o amor se expressa de infinitos modos.

Essência divina da vida, permeia todo o Universo, e portanto todos os seres e coisas. Cada criatura, dependendo do seu nível de evolução, percebe, sente e expressa o amor de forma peculiar. Quando o ser atinge a condição humana, após a longa romagem pelo reino animal, o amor gradualmente adquire características mais sutis e belas. Conquista evolutiva de largos períodos através das reencarnações, a energia do amor se embeleza e adquire níveis de expressão cada vez mais elevados. Ternura, amizade, compaixão, altruísmo, renúncia, sacrifício, são formas mais puras do amor, objetivo a ser alcançado no processo evolutivo humano.

         Desde as paixões asselvajadas, próprias do espírito recém-saído da animalidade, até as culminâncias da angelitude, há uma longa trajetória evolutiva a ser percorrida pelo ser humano. À medida que reconhece tal realidade e a sua posição diante dela, o que é facilitado pelo conhecimento das leis espirituais, o ser tem a possibilidade de se libertar das algemas constritoras das paixões remanescentes em sua estrutura psíquica e rumar para regiões mentais mais amplas e livres, pela vivência de expressões mais puras do amor.

         Para conseguir tal objetivo, há um necessário e longo processo de autoconhecimento e autotransformação. De acordo com orientações que têm sido ofertadas por diversos instrutores espirituais desencarnados, significativa parcela da humanidade atual atingiu um nível de maturidade consciencial que lhe permite compreender dimensões mais profundas da vida e, consequentemente, buscar uma nova realidade existencial, baseada em princípios, valores e leis espirituais superiores. Vivemos numa época de transição, em que velhas expressões afetivas, já desgastadas, gradualmente cederão espaço a novos modos de manifestar a energia amorosa. A proposta educativa da Doutrina Espírita apresenta-se como roteiro seguro para o discípulo desejoso de trilhar esse caminho autoiluminativo, sabendo que os resultados seguramente serão os melhores, ainda que nem sempre imediatos.

         Todos trazemos, como herança do nosso passado na animalidade, expressões ainda grosseiras do amor, o qual geralmente se encontra contaminado por ciúme, desejo, medo, exclusivismo e apego. Isso é natural em nosso nível evolutivo, porém a mensagem cristã, especialmente a espírita, evidencia que já temos condições de rumar para manifestações mais elevadas do amor, desde que nos eduquemos espiritualmente, canalizando as energias afetivas e criativas para finalidades nobres e elevadas, o que nos impulsiona para condições existenciais mais felizes.

         A máxima “Fora da caridade não há salvação” resume a importância dada pelo Espiritismo ao amor como fundamento da redenção humana. A bibliografia espírita possui rico material a respeito do assunto, trazendo exemplos de amor sob as mais diversas formas. Romances, poesias, reflexões, relatos e depoimentos de desencarnados – a mensagem espírita se utiliza de todas as formas possíveis – das concepções mais sublimes aos exemplos mais contundentes – para enaltecer o amor e convocar o ser humano a vivenciá-lo como única forma de se libertar e atingir a felicidade. Dentre tantos escritores espíritas, podemos citar os autores desencarnados Hammed e Ermance Dufaux, que tratam do assunto de modo acessível, e Joanna de Ângelis, a qual, com linguagem mais erudita e rebuscada, traz valiosa contribuição ao tema.

         As lições do amor ocorrem diariamente, nas mais variadas atividades do cotidiano. Os relacionamentos humanos constituem precioso material didático com o qual podemos aprender as lições mais valiosas sobre o amor. É no convívio com o próximo que deparamos os mais desafiadores convites à expressão das virtudes que acreditamos possuir. Trazemos ainda muita ilusão com respeito à nossa real condição espiritual, ao nos considerarmos capazes de atitudes de grandeza, as quais desmentimos diariamente com nossas manifestações de desequilíbrio emocional, egoísmo, orgulho e agressividade. Essa realidade não deve nos desmotivar – embora possa nos aborrecer, ao mostrar a verdade sobre nós mesmos –, mas, ao contrário, nos impulsionar a conquistas mais amplas, mediante o cultivo das virtudes e o exercício diário dos valores mais elevados que pudermos conceber.

         Segundo o Espiritismo, Jesus é o modelo e guia da humanidade terrestre, portanto é o referencial máximo de que dispõe o ser humano. Ninguém, como Ele, exemplificou o amor. O Mestre vivenciou o amor em todas as expressões possíveis: compaixão e misericórdia, ensinamentos e cura, paciência e renúncia, perdão e sacrifício... Seguir-lhe os exemplos, mesmo sabendo da imensa distância que nos separa da realidade do Cristo, pode e deve ser estímulo ao nosso desenvolvimento, pois o próprio Mestre afirmou que somos deuses, que somos a luz do mundo. Com essas afirmações otimistas Jesus demonstrou pleno conhecimento da nossa natureza divina, bem como a certeza de que poderíamos manifestá-la, embora o longo caminho que temos a percorrer até que o consigamos em plenitude.