Mudança de hábitos

Os hábitos nos influenciam tanto, que boa parte das nossas ações se dá por força deles, mesmo que não nos apercebamos disso.

Aquilo que realizamos sistematicamente, após considerável tempo de repetição, deixa de mobilizar nossa atenção para se tornar comportamento automático.

Somos capazes de automatizar diversas ações ou condutas, desde que seguidamente repetidas, independentemente do teor daquilo que fazemos. Desse modo, tanto vícios como virtudes não passam de hábitos adquiridos e mantidos ao longo da vida.

Muitos hábitos são reflexos de ações cultivadas por várias encarnações, havendo, por isso, raízes que se fixaram em profundidade na estrutura psíquica. Daí a predisposição a determinados comportamentos que se apresentam como tendências inatas em certas pessoas.

Para mudarmos qualquer comportamento negativo e conquistarmos uma virtude, precisamos, no início do processo, de considerável esforço e atenção. Com o passar do tempo, desde que perseveremos, o novo comportamento adquire autonomia, passando gradualmente à condição de automatismo, tornando-se natural. Por isso o instrutor Emmanuel afirmou, com relação à virtude, que a disciplina antecede a espontaneidade.

Quanto aos vícios, nada mais são que hábitos nocivos e escravizantes. No início, experimenta-se satisfação com a sua prática, o que estimula sua repetição. Cria-se, desse modo, um comportamento cada vez mais compulsivo, sob pena de se sofrer por abstinência. Por isso é tão importante a vigilância da própria conduta, a fim de que não ocorra a automatização de hábitos indesejáveis. Um constante exercício de autoconhecimento e de autoeducação, auxiliado por um caminho espiritual, pode ser de grande valia, não somente para se evitar vícios, mas principalmente para se adquirir hábitos saudáveis e construtivos.

Como ninguém vive sem hábitos – pois fazem parte da existência humana – é importante que sejam cultivados aqueles portadores de qualidades positivas sobre a vida, promotores de bem-estar, saúde e plenitude pessoal. Muitos hábitos se formam desde a infância ou juventude, portanto, na formação daqueles que sejam salutares, desempenha papel fundamental uma educação integral, que inclua o aprimoramento do caráter, muito além da simples transmissão de informações.

Quando temos um hábito negativo e queremos nos livrar dele, precisamos estar atentos e vigilantes, especialmente na fase inicial, de descondicionamento, até que o comportamento indesejável deixe de nos influenciar. Mais importante do que lutar contra características negativas que trazemos – o que pode exigir muito esforço e provocar desgaste, além de alimentar o conflito – é focar a atenção e o interesse no desenvolvimento de aspectos positivos da existência, o que naturalmente mobiliza e transfere energias para fins mais saudáveis. Alimentar e cultivar o que é positivo preenche determinadas necessidades existenciais, deixando menos espaço para condutas indesejáveis.

Sabe-se que os desencarnados, segundo a lei de afinidade, exercem grande influência sobre os seres humanos, a ponto de induzi-los a certos hábitos. Sabemos, por outro lado, que cada um escolhe, direta ou indiretamente, suas companhias espirituais, pelos pensamentos, intenções e desejos que cultiva. Mesmo nos casos de obsessão, existe uma sintonia de ideias, gostos e tendências, atuais ou geradas em passadas reencarnações, ou uma matriz de desarmonia que atrai os desencarnados que se lhe vinculam. Desse modo, a responsabilidade pelos atos é individual e intransferível, cabendo a cada um a escolha das forças e consciências que o inspiram e influenciam.

O Espiritismo, revelação do Alto destinada ao aprimoramento moral da humanidade, oferece preciosas instruções a todos quantos passem a conhecê-lo, favorecendo o desenvolvimento de comportamentos positivos e benéficos, a fim de que a jornada terrena seja mais bem aproveitada.

É importante termos clareza de que somos nós os criadores dos nossos hábitos; portanto, somos capazes, desde que o queiramos, de modificá-los ou substituí-los. Os hábitos terão a força que lhes dermos e se fortalecerão ou não de acordo com nossas decisões, opções e condutas. A vivência de princípios éticos elevados – como aqueles estabelecidos pelo Espiritismo – pode colaborar muito na formação de hábitos saudáveis, a serviço de uma vida cada vez mais plena e significativa, em harmonia com os desígnios divinos, pois a consciência espiritual, quanto mais desperta e amadurecida, mais se torna soberana sobre todos os aspectos da existência, ao comandar comportamentos e ações com sabedoria e amor.

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