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Reflexões sobre a palestra "Ciência e Mediunidade”

REFLEXÕES SOBRE A PALESTRA “CIÊNCIA E MEDIUNIDADE” DO DR. OLNEY LEITE FONTES

 Dia 30/02/2013, quarta feira, na União Espírita, assisti a uma palestra do Dr. Olney Leite Fontes. Estavam ali mais ou menos 150 pessoas. Ele é farmacêutico, tem várias publicações sobre farmácia e homeopatia. É espírita, professor, pesquisador e diretor da Faculdade de Ciências da Saúde da UNIMEP. Tratou do tema Ciência e Mediunidade. Em suas palestras costuma abordar a parte científica da doutrina espírita. Começou sua fala dando uma aula introdutória para todos nós do sistema nervoso, projetou o corpo humano com os feixes nervosos e depois focou no cérebro e foi nomeando suas partes e funções de forma geral (local responsável pela área motora, do planejamento, da emoção...). Como não sou do “pedaço” (ciências biológicas e da saúde) não vou reproduzir detalhes do que ele disse. Destacou a glândula pineal ou epífise, que, na literatura espírita, é o ponto de contato entre os mundos físico e "sobrenatural". Expôs, então, seu objetivo na palestra: apresentar de forma resumida os últimos avanços da ciência na pesquisa dos fenômenos mediúnicos.

Em um primeiro momento, apresentou um estudo cujo objetivo foi o de determinar se a psicografia está associada com alterações específicas na atividade cerebral. Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal de Goiás e da Universidade Thomas Jefferson, da Filadélfia, USA, liderados pelo Dr. Julio Peres, psicólogo clínico e neurocientista, pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (Proser), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, resolveram investigar, através de neuroimagens, a mediunidade de psicografia - médiuns que recebem mensagens de espíritos e o fazem num estado alterado da consciência chamado transe mediúnico. Trabalharam na pesquisa com 10 médiuns, sendo quatro homens e seis mulheres, com ampla experiência com atividades psicográficas em centros espíritas kardecistas, filiados à Federação Espírita Brasileira. Como li em outras fontes, entre os critérios na escolha dos médiuns para participar dos estudos, estava a exigência de que fossem pessoas que, além da frequência regular ao Centro Espírita, levassem uma vida normal, sem evidências de transtornos mentais.  Foi, então, dado aos médiuns uma temática específica e pedido que escrevessem um texto sobre ela. Ao mesmo tempo, aparelhos foram conectados a eles para gravar neuroimagens sobre o seu funcionamento cerebral durante a produção do texto de sua autoria. Registraram, assim, qual parte do cérebro era mais utilizada. Depois, eles gravaram o funcionamento cerebral destes mesmos médiuns quando estavam em transe mediúnico, durante a psicografia.

Eles observaram que na redação própria sobre o tema, como era esperado, foram ativadas as áreas do cérebro responsáveis pelo planejamento e organização do pensamento lógico. No entanto, quando no transe mediúnico, estas áreas eram muito pouco ativadas. Observaram que as neuroimagens do médium em transe em muito se assemelhavam às neuroimagens de pacientes esquizofrênicos. Relataram que durante o transe, a parte mais ativada do cérebro era a motora. A hipótese inicial do estudo é que não haveria diferença nas neuroimagens dos médiuns com ou sem o chamado "transe mediúnico".

Conclui-se que: 1. As neuroimagens mostram que a autoria dos textos produzidos pelos médiuns em transe não é supostamente deles; 2. Foram observados processos dissociativos – esquizofrênicos - que ocorrem durante o transe mediúnico e que os mesmos, nos médiuns, não se configuram como impeditivos do convívio social normal.

O Olney comentou depois sobre alguns estudos científicos referentes à epífise, ou glândula pineal, considerada na literatura espírita como a "antena da alma", e, em seguida, fez “ligações” entre esses estudos e as afirmações sobre o mesmo assunto feitas pelo Espírito André Luiz à Chico Xavier, encontradas no livro “Missionários da Luz”. Segundo a ciência, a glândula pineal, quando excitada pela ausência de luz, produz um hormônio chamado melatonina. Este hormônio tem ação sedativa e isolante sobre as diferentes áreas do cérebro (córtex cerebral). Além disso, a pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos. Descobriu-se ainda, por meio da microscopia eletrônica de varredura, que a glândula pineal tem cristais de fosfato de cálcio em seu interior, que ao vibrarem, sobre a influência de ondas eletromagnéticas, amplificam os sinais magnéticos que estimulam a produção de melatonina.

Para o Olney, num trabalho mediúnico no centro espírita (portanto, sob controle dos espíritos que dirigem o trabalho), o mentor do médium, que é responsável por acompanhá-lo na tarefa da psicografia, emite vibrações eletromagnéticas (como acontece no passe). Estas ondas vão em direção ao chacra coronário do médium (onde está a epífise) e são convertidas em sinais magnéticos amplificados que estimulam a produção de melatonina, a fim de sedar o médium e isolar algumas áreas do córtex cerebral. Sob a ação do mentor, apenas a área motora é ativada, para que o espírito possa escrever através do médium. Segundo o Olney, com base na ciência oficial e nos ensinamentos de André Luiz, este é o mecanismo da mediunidade de psicografia.  

Isto é o que eu, que não sou da área da saúde, pobremente consegui anotar da brilhante palestra de uma hora, aproximadamente.

Quando cheguei em casa digitei o nome do prof. Alexander Moreira-Almeida no google acadêmico (www.google.com.br/scholar), um dos pesquisadores mencionados pelo Olney, e surgiram os inúmeros estudos nacionais e estrangeiros publicados por ele e seu grupo. Em um deles ele discute como os clássicos da psiquiatria trataram a mediunidade. FREUD não trata da mediunidade, mas os "fenômenos paranormais" se localizariam, nos seus estudos, nos movimentos da psiquê do próprio sujeito. Jung, seguidor e dissidente das teorias freudianas, admite a possibilidade da comunicação mediúnica dentro do “inconsciente coletivo”. Myers é o mais aberto às perspectivas espíritas. Alguns estudos analisam as analogias e diferenças entre as abordagens dos terapeutas aos pacientes nos consultórios e aquelas feitas durante os trabalhos mediúnicos na orientação dos desencarnados sofredores que, segundo os estudos, "supostamente" estão sob direção e coordenação dos mentores. O estudo mencionado pelo Olney depende de assinatura em revista especializada estrangeira para poder ler, então não tive acesso direto ao texto.

Kardec, que é mencionado em todas as bibliografias envolvendo especificamente a mediunidade nestes estudos (observo que de forma respeitosa e séria), vai muito além destes. Seus instrumentos foram a intuição, a lógica e alguns critérios de experimentação baseados, sobretudo, no bom senso. Lembremos que ele não tinha nenhuma mediunidade ostensiva. Estava, em 1857, ano da publicação do Livro dos Espíritos, quilômetros a frente do que as ciências timidamente se aproximam hoje. Penso que demoramos muito para subir estes degraus, mas entendo que este cuidado se faz  necessário.

Lamento que perguntas óbvias feitas na fase inicial de Kardec com os fenômenos mediúnicos emergem nestes estudos, mas não vão para frente. Se não foi o médium, quem escreveu o texto? Há uma inteligência externa específica que o produziu, isto está demonstrado. Quem é... é a próxima pergunta.

Quando, nos anos 40 do século passado, o Chico foi processado pela esposa de Humberto de Campos por psicografar livros dele (a família queria receber os direitos autorais), o tribunal chegou num impasse interessantíssimo para a pesquisa científica na área: a mãe do autor, os linguistas e especialistas na literatura do médico e escritor carioca Humberto de Campos, reconheceram a autenticidade do autor nas obras psicografadas pelo Chico. Não era possível que Chico tivesse o conhecimento restrito a especialistas sobre minúcias do estilo da obra deste autor para plagiá-lo. Num espaço curto de tempo foram psicografadas cinco obras. Chico nunca ganhou nada com estas publicações, tudo foi para a FEB e para  obras sociais de centros espíritas. Então, se o juiz aceitasse o que disseram a mãe do autor e os especialistas e reconhecesse que a obra era dele, a família teria direito aos lucros da obra. O juiz estaria dizendo que Humberto de Campos estava vivo, mas elas surgiram após sua morte. Oficialmente ele estava morto. Foram anos terríveis para o Chico, um homem simples, que tinha pouca escolaridade. A justiça decidiu que “ para fins legais os direitos autorais não poderiam ser atribuídos a um morto”.  A viúva perdeu a causa. E foi encerrada uma celeuma de anos.

Como pode acontecer num tempo restrito de uma hora, surgir um texto articulado, com sentido, começo, meio e fim e sem ativar fortemente a área do raciocínio lógico? O mais provável não é que os espíritos existam, que sejam pessoas como nós (nem anjos nem diabos), voltadas para o bem e para o mal e eles, como constatou Kardec “influenciam a nossa vida a tal ponto que, via de regra, são eles que nos dirigem” ?

Para avançar mais rapidamente é preciso fazer uma inflexão: trabalhar mais de frente com a premissa já posta pelos estudos de que há “uma inteligência” que se manifesta no transe mediúnico, quando este de fato ocorre.  A pesquisa científica é reguladora importante da prática médica.

Quem perde com esta demora? Os obsidiados, ou seja, os milhares de pacientes psiquiátricos que vagam pelos consultórios e vivem testando remédios, ou aqueles que nunca tiveram este atendimento e padecem de crises episódicas de transtornos mentais diversos. Estes são os maiores prejudicados.  

Na visão espírita, somos seres interexistenciais, pois vivemos simultaneamente no mundo dos espíritos e no mundo físico. Assim sendo, nossos problemas exigem que o tratamento espiritual realizado seja aliado ao tratamento médico e/ou psicológico. Muito contribuiria reconhecer a existência das “inteligências” ao nosso redor, que se voltam não só para auxiliar, mas também para perturbar e destruir pessoas específicas, famílias ou grupos. Agem continuamente verdadeiras organizações criminosas, similares as que temos na dimensão física, dentro de objetivos nefastos claros, manipulando comportamentos e tendo, ainda, a seu favor, a vantagem  da invisibilidade para a maioria das pessoas.