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Autoconhecimento

Na questão 919 de "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec pergunta aos Espíritos:

Qual seria o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

Santo Agostinho responde a questão. Um sábio da antiguidade disse:

"Homem, Conhece-te a ti mesmo."

Allan Kardec, ainda não contente com a resposta, insistiu com outra pergunta:

"Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?”

Santo Agostinho, respondendo a questão, nos fornece um valioso conselho:

Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma (...)

Carl Gustav Jung escreveu: "A triste verdade é que a vida humana consiste num complexo de opostos inseparáveis. Dia e noite, nascimento e morte, felicidade e miséria, bem e mal (...).”

Fomos ensinados desde criança a esconder, a negar em nós coisas que a sociedade diz que são pecaminosas, terríveis, imorais escuras, feias, mas também coisas boas – a fim de nos encaixarmos em “padrões”.

Tudo o que negamos em nós, na busca absurda de sermos perfeitos para os outros, Jung chamou de sombra.

Quando a consciência se vê em uma condição ameaçadora ou duvidosa, a sombra se manifesta como uma projeção forte e irracional, positiva ou negativa, sobre o próximo.

Disse ainda Jung: "Tudo o que nos irrita com relação aos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos".

É o nosso lado sombra que detém todas as chaves de nosso autoconhecimento, todos os nossos segredos.

Jung sabia que a sombra é perigosa quando não reconhecida, pois projetamos nossos aspectos destrutivos no mundo e nos outros e somos inteiramente escravos dela até que domine nossa mente e passemos a pulsar somente ódio, tristeza, julgamentos, dor, reclamações, etc. Ou seja, a sombra reprimida demasiadamente pode voltar-se contra nós, gerando vícios, autoflagelação, nervos à flor da pele, etc.

Quando assumimos o compromisso com o autoconhecimento:

Nossa luz e nossa sombra criam contradições em nossa alma. Qual caminho seguir? O que eu quero ou o que os outros querem de mim? Ou ainda, o que fiz ou deixei de fazer?

O autoconhecimento nos dá a habilidade de saber como e onde agem nossos pontos frágeis e até a quem atribuímos nossas emoções e sentimentos, facilitando-nos compreender melhor os que nos rodeiam. Significa desenvolver gradativamente o respeito aos nossos semelhantes, impedindo que façamos projeções triviais e levianas de nossas deficiências nos outros.

E é somente penetrando na própria escuridão que poderemos transformar-nos, poderemos transitar da antiga para a nova forma, livrando-nos de nossos temores e vergonhas, fracassos e dores, isto é, poderemos descobrir nossa verdadeira força, nosso poder, nossos talentos e... O verdadeiro Eu.

O sucesso está e estará em nossas mãos quando aceitarmos e vencermos o desafio de conhecermos a nós mesmos. Ao identificarmos as próprias habilidades e dificuldades, conquistaremos a possibilidade de modificar e gerir nossas emoções e comportamentos.
O equilíbrio, tal como foi estabelecido por Deus no universo, deve ser restabelecido por nós em nosso mundo psicológico, sob orientação do amor, para que possamos compreender Deus em nós.

O conhecimento e conhecermos a nós próprios são processos, buscas que não têm fim, e a cada dia podemos aprender mais.