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Diálogo

DiálogoO casal vivia às turras, brigas homéricas, sarcasmos, ironias recíprocas…

Houve o que chamaríamos ruptura da relação, naquela fase em que até o olhar incomoda.

Esse é um aspecto curioso da vida conjugal.

No período áureo, de envolvimento passional, os pombinhos se entendem pelos olhos. Parecem ler o pensamento, um do outro.

Com o desgaste da relação, olhar dá choque.

– O que foi? Nunca viu?!

É o fim do casamento.

Um casal chegou a esse extremo.

Não obstante, ambos consideraram a inconveniência da separação. Tinham cinco filhos. Nenhum dos dois admitia ficar sem eles.

E havia a questão financeira. Dividida a família, seriam duas casas para manter, despesas dobradas, nível de conforto prejudicado.

Assim, decidiram continuar sob o mesmo teto, mas… sem papo!

Situação embaraçosa!

Há na vida conjugal a necessidade fundamental de comunicação, até por questões práticas, envolvendo a economia doméstica.

O jeito foi ter os filhos como intermediários, gerando memoráveis “diálogos”.

Ela:

– Diga ao seu pai que acabou o arroz.

Ele:

– Diga à sua mãe que está gastando demais.

Ela:

– Diga ao seu pai que vá para a cozinha.

Ele:

– Diga à sua mãe que vá para o diabo que a carregue!

Ela:

– Diga ao seu pai que não é preciso. Moro com ele!

Pior aconteceu quando os filhos saíram de casa. Alguns se casaram, outros foram trabalhar fora.

Já idosos e acomodados, sem coragem de encarar a separação, passaram a se comunicar através de bilhetes, com recados sintéticos e malcriados:

– Diabo, acabou o arroz!…

***

Bem, prezado leitor, vida conjugal não é bolinho, como se diz popularmente.

Hippolyte Taine (1828-1893), filósofo e historiador francês, dizia:

Estuda-se um ao outro durante três semanas; ama-se três meses; disputa-se três anos; tolera-se trinta anos; e os filhos recomeçam.

Ouve-se, no meio espírita, a recomendação de “tolerar o cônjuge nesta vida para livrar-se dele na outra”, inspirada na idéia macabra de que casamento é carma, uma cruz a ser carregada até o calvário de redenção, envolvendo, não raro, a convivência com desafetos de existências anteriores.

Básico engano! A finalidade do casamento não é suportarem-se reciprocamente os cônjuges, como quem cumpre penalidade.

Casamento é ficha de matrícula na Escola do Lar, oferecendo-nos o ensejo de aprender a lição fundamental: mudar de pessoa, na conjugação do verbo de nossas ações. Da primeira do singular – eu, sob inspiração do egoísmo, para a primeira do plural – nós, sob a bênção ao altruísmo.

A partir do empenho por essa mudança, surge a família, célula básica da sociedade, bênção de Deus em favor de nossa estabilidade espiritual e emocional.

Obviamente, há dificuldades, envolvendo a convivência de dois seres que são diferentes, sob o ponto de vista biológico e emocional, mas serão facilmente superadas se houver a consciência de que estamos juntos para nos harmonizarmos, não para nos suportarmos.

Como dizia um confrade:

– Jesus espera que nos amemos, não que nos amassemos!

Sempre será útil, nesse propósito, o exercício de civilidade.

Não me refiro ao verniz social que adquirimos na escola, mas à disciplina das emoções, considerando ser imperioso que respeitemos o próximo, a começar por aquele que está mais perto de nós, alguém que vive sob o mesmo teto.

Se houver respeito, ficam abolidas a agressividade, a palavra áspera, a prevaricação, a displicência, a desatenção, a omissão, males que conturbam o lar.

Esforçando-nos nesse sentido, haveremos de nos dar tão bem que a idéia da separação jamais nos ocorrerá, ainda que convivendo com hipotéticos desafetos do pretérito.

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