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Linhas Divisórias

Conta Ramiro Gama, no livro Lindos Casos de Chico Xavier, que durante algum tempo o grande médium realizou reuniões mediúnicas em Pedro Leopoldo, contando apenas com seu irmão José, que era o dirigente e o doutrinador.

Certa feita, o mano viajou, atendendo a compromissos profissionais. Era preciso arranjar um substituto, a fim de que o trabalho de assistência espiritual não fosse interrompido.

Mudara-se para Pedro Leopoldo um senhor rústico de nome Manoel, conceituado como experiente doutrinador de Espíritos obsessores.

José foi procurá-lo.

Manoel, prestativo, aquiesceu de boa vontade.

No dia aprazado compareceu à reunião, portando grosso exemplar da Bíblia, que costumava usar em suas pregações.

Manifestou-se um mentor, a recomendar:

– Meu irmão, esses Espíritos que vão se apresentar são endurecidos. Aplique neles o Evangelho, com veemência.
– Pois não! Vossas ordens serão fielmente cumpridas.

Logo em seguida, Chico recebeu o primeiro obsessor.

Manoel, interpretando ao pé da letra a recomendação, passou a mão na Bíblia e, usando-a como um porrete, passou a desferir golpes na cabeça do médium.

– Tome Evangelho! Tome Evangelho!…

A reunião foi imediatamente interrompida. Chico ficou vários dias com dolorido torcicolo. Sempre de bom humor, comentava:

– Sou, talvez, a única pessoa que já recebeu uma “surra de Bíblia”.

***

O hilário episódio teria destaque num compêndio sobre excentricidades na prática mediúnica.

Ressalta o fato de Manoel não saber a diferença entre veemência e violência.

Freqüentemente vemos na seara espírita algo semelhante, envolvendo companheiros incapazes de distinguir linhas divisórias, em vários aspectos da vivência cristã.

Alguns exemplos:

  • Diante do malandro contumaz.

A energia cristã:
– Deixaremos de atendê-lo até que se disponha a mudar.
A agressividade:
– Ponha-se para fora! Mau-caráter! Cara-de-pau!

  • Diante do deslize alheio.

O comentário cristão:
– Não nos cabe julgar. Oremos por ele.
A fofoca:
– E tem mais…

  • Diante do aprendiz pouco assíduo.

A disciplina cristã:
– Recuperemos o tempo perdido.
A intransigência:
– Está eliminado!

  • Diante dos desvios doutrinários.

A iniciativa cristã:
– Vamos organizar um estudo.
A prepotência:
– Vamos acabar com eles!

  • Diante dos problemas de relacionamento.

O entendimento cristão:
– Eu preciso melhorar.
A pretensão:
– Ele precisa melhorar.

  • Diante das dificuldades no serviço.

A postura cristã:
– Perseverarei.
A inconstância:
– Desistirei!

Para definir quando deixamos de ser cristãos, caindo no resvaladouro das fraquezas humanas, é preciso conquistar os dons da compreensão, filha da reflexão.

Ajudaria muito o empenho da auto-análise, tendo as lições de Jesus por parâmetro.

Se pretendemos um bom trabalho, aproveitando as oportunidades abençoadas de edificação que a Doutrina Espírita nos oferece, é preciso cuidado.

Estejamos atentos às linhas divisórias.

Evitemos usar o conhecimento espírita-cristão como se fosse arma contundente, a fustigar o crânio de nosso irmão.

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