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Ingenuidade

Estava “a perigo”. Precisava, urgentemente, de dinheiro.

Após “passar nos cobres” objetos de uso pessoal e variados pertences, decidiu vender algo menos palpável. A própria alma!

Anunciou num site de leilões da internet e, pasme leitor amigo, encontrou comprador!

Vendeu a indigitada por trinta e um dólares. Foi entregue acondicionada numa garrafa, devidamente tampada.

Moral da história:

Jamais perderemos dinheiro, apostando na ingenuidade humana. Sempre há alguém disposto a pagar pelo absurdo.

***

Essa curiosa história lembra um dos grandes clássicos da literatura universal:

Fausto, de Goethe (1749¬-1832), em que o personagem-título vende sua alma ao demônio.

O tinhoso dispôs-se a atender seus desejos na Terra para tiranizá-lo no Além.

Segundo a teologia ortodoxa, demônios são anjos que pecaram antes da criação de Adão, condenados ao inferno.

Conservando a inteligência e os poderes angelicais, passaram a empregá-los para exercitar o mal, procurando induzir à perdição a nós outros, pobres mortais, alheios às suas desavenças com o Todo-Poderoso.

Os anjos rebelados têm produzido estragos, sempre dispostos a “comprar” as almas, explorando as fraquezas humanas.

É fácil constatar isso.

Basta observar o panorama desolador de nosso mundo. Sucedem-se, incessantes, guerras, crimes, mentiras, traições, vícios, envolvendo indivíduos e coletividades, perpetuando desajustes e dores.

Tem-se a impressão de que os demônios são mais poderosos que Deus, pondo em dúvida atributos divinos como:

  • Onisciência.
    Criou anjos sem saber que iriam se perder, nem que induziriam os homens à perdição.
  • Onipotência.
    Não conseguiu evitar que se perdessem.
  • Misericórdia
    Não lhes ofereceu infinitas oportunidades de reabilitação.
  • Justiça.
    Impôs-lhes eterna danação, sem considerar que a extensão da pena não pode ultrapassar a natureza do crime. 

***

A Doutrina Espírita desfaz milenares enganos a respeito do demo.

Não há seres devotados ao mal perene. 

Há apenas filhos rebeldes de Deus, submetidos a leis inexoráveis de evolução, que mais cedo ou mais tarde modificarão suas disposições, reconduzindo-os aos roteiros do Bem.

Afirma Jesus que Deus não pretende perder nenhum de seus filhos (João, 6:39). E não perde mesmo, ou não seria o Onipotente.

Os demônios de hoje serão anjos amanhã. 

Séculos de lutas e sofrimentos, no desdobramento de inexoráveis experiências evolutivas, porão juízo em suas mentes conturbadas. 

Em última instância, diabos somos nós, quando nos comprometemos com o mal.

“Vendemos” nossa integridade por ninharias, aos demônios interiores da cobiça, da ambição, do vício, dos prazeres sensoriais, e perdemos o rumo da vida. 

Arremedos do gênio da lâmpada de Aladim, cerceamos voluntariamente nossas potencialidades de filhos de Deus, ao nos tornarmos meras “almas em conserva”, voluntariamente prisioneiros de reluzentes e comprometedoras paixões.