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Dar o Pão

O delegado criticava, veemente, o mendigo:

– Você é um mau-caráter! A senhora registrou Boletim de Ocorrência, reclamando de sua atitude. Se foi tão atenciosa; se piedosamente deu-lhe um pão, por que jogou a pedra na janela de sua casa, quebrando a vidraça?


O mendigo ficou indignado.
– O doutor está enganado! Não foi pedra! Atirei foi o pão empedrado que a sovina me deu!


***

Bem poderíamos discorrer sobre a ingratidão ou, pior, o responder com o mal ao bem que nos fazem.
Creio, entretanto, leitor amigo, que seria mais oportuno destacar, neste episódio, constrangedora questão: o atendimento do pedinte.
Em princípio as pessoas tendem a encará-lo como mero importuno, que vem perturbar sua tranqüilidade ou interromper seus afazeres.
O impulso inicial, costumeiro, é informar, taxativo, sufocando a consciência e amputando o vernáculo:
– Tem nada não!
Os mais “generosos” apressam-se em estender-lhe alguns centavos, interrompendo o relato de suas carências, a despachá-lo de pronto.
Quando se dispõem a “perder tempo”, vão um pouco além, oferecendo “mimos” como surrados trapos, restos de refeição, pão amanhecido…
Sendo o infeliz atendido por um ateu, até se admite semelhante comportamento. Afinal, descartada a existência de Deus e a sobrevivência da alma, tudo é permitido, especialmente tratando-se de descumprir singelos deveres de solidariedade.
Lamentável que, com raras exceções, esse comportamento é adotado por aprendizes do Evangelho, que deveriam, por elementar norma de comportamento, levar em consideração a recomendação de Jesus (Mateus, 7:12):

– Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles.

Se fôssemos nós a evocar a compaixão alheia; se estivéssemos carentes, sofridos, atormentados, gostaríamos de ouvir incisiva negativa ou de receber mísero pão amanhecido?
É preciso cuidado para não nos enquadrarmos na melancólica observação de Jesus, lembrando o profeta Isaías:

– … Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.


***

Sebastião Carlos Gomes, antigo diretor do CEAC, afirmava que, ao passarem pela quadra em que mora algum espírita, os carentes que solicitam auxílio sempre vêm à sua porta, como que guiados por invisível mão.
Explicava que os bons Espíritos os inspiram, considerando que os moradores, embora feitos do mesmo material que caracteriza a Humanidade, em que um ingrediente básico é o egoísmo, estão conscientes de que devem lutar com todas as forças contra essa tendência visceral, exercitando a solidariedade.
Aí está, leitor amigo, algo para pensar, se você pretende orientar sua existência pelos princípios codificados por Allan Kardec.
E se aquele que o procura foi guiado por agentes do Bem? Empenhados em ajudá-lo, sopraram-lhe, pelos condutos espirituais, nos refolhos de sua mente:
– Bata naquela porta! Ali mora um espírita, o cristão de consciência desperta. Ali será respeitada sua dignidade de ser humano e serão atendidas suas necessidades!
Se não correspondermos às expectativas da Espiritualidade, mais cedo ou mais tarde nossa consciência nos cobrará pela omissão.
Considerando esse manancial divino que é a Doutrina Espírita, a esclarecer que o próximo é o nosso caminho para Deus, imperioso observar outro princípio apresentado por Jesus (Lucas, 12:48):

… A quem muito foi dado, muito se pedirá.

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