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O Jogo da Atenção

Admirável a concentração daquela senhora.

Freqüentadora assídua de reuniões de assistência espiritual, no Centro Espírita, era admirada pelos próprios expositores. Sentiam-se lisonjeados com seu interesse, olhos fixos neles, modelo de atenção.
Alguém lhe perguntou como conseguia manter-se ligada o tempo todo, mesmo diante de palestrantes menos cativantes.
– Fui orientada a respeito. Disseram-me que é um preparo para o passe magnético. Então trato de não perder uma só palavra…
– Que técnica usa?
– Nada sofisticado. Limito-me ao “jogo da atenção”.
– Como funciona?
– Quando o expositor começa a falar, proponho-me a formar o abecedário, a partir da letra inicial das palavras que pronuncia. Com isso fico “acesa”, habilitando-me a receber um passe “no capricho”.
Está aí uma solução criativa para a desatenção.
Bem poderia ser usada por esposas de políticos, que acompanham seus maridos nas campanhas eleitorais. Seria fácil passar a imagem de plena atenção, ainda que ouçam dezenas de vezes a ladainha do candidato.


***

Não se anime, leitor amigo.
No Centro Espírita esse jogo não funciona.
Lembro episódio ilustrativo, envolvendo Júlio César (100-44 a.C.).
O grande imperador romano passava meses fora de casa, em campanhas militares, o que ensejava um clima de fofocas, envolvendo a fidelidade de sua mulher, Pompéia.
Certa noite, um jovem de nome Clódio foi surpreendido andando pelos corredores do palácio. Logo surgiu o boato de que ia encontrar-se com a imperatriz.
César inocentou o rapaz, no tribunal. Ele foi absolvido, mas o imperador acabou repudiando a esposa.
Quando o questionaram sobre esse comportamento contraditório, explicou:

– À mulher de César não basta ser honesta. Deve parecer honesta.

Invertendo a observação de César, podemos dizer que não basta aparentar que estamos concentrados na exposição doutrinária.
Imperioso que estejamos realmente assimilando conteúdos.
E não se trata de mero preparo para o passe magnético. Este, na verdade, é um tratamento de superfície. Cuida de efeitos.
As palestras atacam as causas profundas, originárias do comportamento. Oferecem um roteiro para as pessoas superarem seus desajustes, mudando o rumo de suas vidas. Daí a importância da atenção, não como mero jogo, mas como empenho de aprendizado.


***

Várias causas são evocadas para justificar a desatenção.
Cansaço, esgotamento, distração, enfermidade, preocupação, e até influências espirituais.
Pode ser algo disso ou tudo isso, mas, fundamentalmente, o problema é de motivação.
Enquanto as pessoas procurarem o Centro Espírita como quem vai a um hospital, em busca de cura para males do corpo e da alma, sempre haverá tais dificuldades.
Quando nos compenetrarmos do significado da Doutrina Espírita e estivermos realmente interessados em aprender, teremos toda a atenção do mundo, habilitados ao “jogo da sabedoria”, que premia os participantes com a solução dos enigmas da existência, sobrepondo-se ao imediatismo terrestre.
Somente assim superaremos o estágio primário:
Espírita por aparência.
Seremos promovidos a um nível superior:
Espírita por essência!

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