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Cidadania

Logo após a Segunda Guerra Mundial, dois homens almoçavam num restaurante londrino. 

A carne estava racionada. Cada cliente só podia comer um bife.
Um deles, brasileiro, após saborear o seu, pediu outro ao garçom. Este lhe disse que não poderia atendê-lo, em face da restrição vigente.
Nosso patrício sorriu, superior:
– Norma ingênua. Posso entrar noutro restaurante e comer mais um bife.
O garçom, imperturbável:
– Sem dúvida, o senhor pode fazer isso. Um inglês não faria.


***

Quando dizemos que o cidadão é o indivíduo no pleno uso de seus direitos civis e políticos, exprimimos uma definição pela metade.
Cidadão é, também, o indivíduo cônscio de suas responsabilidades perante a sociedade.
Se leis são instituídas, visando disciplinar o relacionamento social e favorecer o bem-estar coletivo, compete-lhe observá-las, integralmente.
Em países de cultura milenar, povos conscientes e esclarecidos, a cidadania é exercitada em plenitude, envolvendo direitos e deveres, em favor do bem-comum.
O inglês, no pós-guerra, período de grande escassez, observava estritamente o racionamento, a fim de que toda a população pudesse receber as proteínas da carne.
Nosso povo, ainda pouco preparado para o exercício da cidadania, está sempre está disposto a exercitar o “jeitinho brasileiro”.
Em sua expressão mais simples, diríamos que é a arte de burlar as leis e os regulamentos em proveito próprio, sem cogitar de que, invariavelmente, haverá prejuízo para outrem.


***

Os ingleses não tinham a fiscalização em seus calcanhares para obrigá-los a cumprir as normas.
Sua observância era uma questão de maturidade.
Será a plenitude da cidadania, considerados os direitos e os deveres inerentes à convivência social, mera decorrência do tempo?
Teremos que esperar por uma cultura brasileira milenar para alcançar tal conquista?
Certamente, não!
A educação pode agilizar o processo.
Não se trata da mera instrução que recebemos na escola, o verniz social, mas da educação fundamental, no lar, a partir do comportamento dos adultos.
Se os pais não passam para a criança o exemplo de cidadania, de cumprimento de seus deveres, de respeito pelas leis, de fidelidade à verdade, como iremos mudar a mentalidade patrícia?
Um amigo dizia-se estarrecido com o que presenciou certa feita, num jogo de futebol.
Em dado momento, um menino de seus oito anos, indignado com suposta falha de arbitragem, proferiu palavrões. “Homenageou” a senhora mãe do juiz, atribuindo-lhe aquela profissão pouco recomendável.
O pai o olhava sorridente, orgulhoso de sua atitude intempestiva.
Que se pode esperar de um adulto que recebeu, na infância, esses estímulos ao destempero e à vulgaridade?
Outro exemplo:
Um homem perdeu uma pasta com vários documentos.
Terrível transtorno! Ali estavam o RG, título de eleitor, carteira de motorista…
Logo recebeu um telefonema.
– Meu filho encontrou sua pasta.
– Ah! Ótimo! Fico agradecido e aliviado.
– Vai lhe custar cinqüenta reais.
– Não entendo…
– O garoto quer uma recompensa.
– E se eu não pagar?
– Não vai ter a pasta de volta.
– Isso é extorsão!
– Você deve saber, meu amigo, que achado não é roubado.
Foi combinado o local para a “troca”.
Ocorre que o dono da pasta, familiarizado com a legislação, levou um policial junto e o “esperto” pai do menino foi autuado em flagrante delito.
Não sabia que, segundo a lei, estava enquadrado em apropriação indébita, equivalente a furto.
Como pode, uma criança que recebe tal orientação do genitor, comportar-se de forma disciplinada e honesta, cumprindo seus deveres de cidadania?


***

Nesse aspecto, a Doutrina Espírita é instrumento divino, com lições incisivas que nos fazem pensar.
Destaque para a Lei de Causa e Efeito, segundo a qual sempre receberemos de retorno todos os prejuízos que causarmos ao próximo.
Lembrando o episódio na Inglaterra, o bife que subtrairmos ao vizinho, hoje, será o bife que faltará em nosso prato, amanhã.
É fundamental cumprir nossos deveres como cidadãos, a partir do elementar dever de ajudar os que passam por privações, atendendo à própria consciência.
E não estaremos fazendo grande coisa, leitor amigo.
Apenas o mínimo necessário para que, na roda das reencarnações, não nos vejamos privados, amanhã, do direito de nos alimentarmos adequadamente.

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