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  • Todos somos ignorantesA ignorância é um dos maiores entraves ao progresso humano, quer seja no âmbito espiritual, como em qualquer outra área. Na obra "Um Conto de Natal", escrito por Charles Dickens, o personagem que representa "O Espírito do Natal Presente", traz consigo, sob seu manto, duas crianças com rostos medonhos, estas crianças são apresentadas como a "Ignorância" e a "Miséria", alertando para que tenhamos cuidado com as mesmas, e de certa forma relacionando-as.

  • A compreensão desta passagem implica no estudo e conhecimento prévio do Salmo 22. Neste Salmo, vemos o médium (Davi), descrevendo com suas palavras e sentimentos a visão profética do evento da Crucificação, algumas dezenas de séculos antes da ocorrência do mesmo.

    No Salmo 22, v 1, são estas as expressões do Salmista: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?, por que te alongas das palavras do meu bramido, e não me auxilias”. v 16 “...traspassaram-me as mãos e os pés”. v 18 “Repartem entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha túnica”. Aqui estão registradas as impressões do médium diante de sua visão: o Filho de Deus enviado ao mundo para salvar o povo de Deus, sendo morto na cruz. Deus o desamparou e em consequência conseguiram matá-lo. Deus não conseguiu evitar e a expressão foi a decepção de Davi em função daquilo que ele via, um profeta sendo desamparado por Deus: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Palavras de Davi procurando interpretar o sentimento do profeta que estaria sendo crucificado.

    Nos Evangelhos de Mateus 27,v 46 e Marcos 15, v 4 temos o registro da expressão “Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?”. Nos Evangelhos de Lucas 23, v 46 e S.João 19,v 30 não há o registro desta expressão. Nos quatro evangelhos, Mateus 27, v 35; Marcos 15, v 24; Lucas 23, v 34 e S.João 19, v 24 são registradas as cenas referentes à disputa da túnica pelos soldados romanos, confirmando a visão profética do médium Davi.

    Jesus já em outras ocasiões evocara a Escritura, pois se utiliza dos valores e referências judaicas; a Lei, a Escritura, o Tanach. Em João 10, v 33 a 36 “Os Judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?. Pois se a lei chamou deuses aqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada). Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas porque disse: Sou Filho de Deus?” referindo-se ao Salmo 82,v 6.

    Portanto, Jesus recitou o Salmo 22 que profetizou, descreveu o término da sua Missão; na visão do médium Davi que interpretou a cena que assistia e como estaria se sentindo Jesus que na sua avaliação estaria sendo abandonado por Deus; como outras partes da Escritura haviam previsto seu nascimento e várias passagens da sua Missão.

    Não poderíamos deixar de lembrar ao final deste artigo segundo o Espiritismo, as palavras de Kardec na introdução da Gênese: “Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo o princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina. Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o Espiritismo assumir a responsabilidade”.

    Posto isto, enfatizamos: esta é a nossa visão do assunto, existem outras. Nenhuma delas representa ainda a visão do Espiritismo sobre o assunto, porque falta a consagração do controle da generalidade. Nossa colaboração visa unicamente, tentar cooperar para que algum dia haja esta consagração sobre este tema.

     

  • O ciclo da água na Natureza revela sua importância na manutenção do equilíbrio dos sistemas vivos de todo o planeta.

    A água é veículo da manifestação e expressão da vida orgânica. Evidência disso são as sementes que permaneceram em estado latente por séculos mas que, em contato com a água, passaram a germinar. Tal fato demonstra que estavam com a vida em potencial, adormecida, a qual foi despertada pela hidratação.

    A poluição a que está sujeito grande parte do manancial hídrico planetário reflete a poluição interior do homem, expressa no mundo externo, bem como a ignorância do ser humano quanto ao valor e importância dos recursos naturais.

    Além da importância na vida física, como solvente, hidratante e doadora do oxigênio, a água exerce relevante papel também nos níveis sutis, energéticos, dos sistemas vivos.

    O pesquisador japonês Masaru Emoto realizou experiências com a cristalização da água, e comprovou que inúmeros fatores alteram a conformação e as características dos cristais de água. Submeteu a água a diversas interferências, congelou-a e fotografou em seguida os cristais congelados. Dentre as variáveis que alteraram os cristais, destacou: palavras proferidas, frases escritas, pensamentos, sentimentos, orações e músicas. Todos esses estímulos foram direcionados ao recipiente de água antes de ser congelada. Dependendo da qualidade e intensidade desses fatores os cristais de água tornaram-se mais organizados, harmônicos e belos, ou desestruturados e até destruídos. Detalhes desses experimentos estão no livro “As Mensagens da Água”.

    As pesquisas mencionadas confirmam os ensinamentos espiritualistas sobre a importância e repercussão de todos os atos humanos. Ao descobrir que pensamentos, palavras, sentimentos e vibrações influenciam diretamente, mesmo à distância, a conformação da água, sabe-se agora de modo explícito o que os mestres espirituais sempre ensinaram. A água foi veículo de revelação, através das evidências citadas, de princípios espirituais, suas consequências e aplicações.

    Do mesmo modo que Allan Kardec percebeu e analisou as consequências morais dos fenômenos mediúnicos que estudava, as experiências com as mudanças nos cristais de água propiciam nova compreensão, mais sutil, dos mecanismos de interação e influenciação entre os seres e os elementos da Natureza.

    Prática regular nos centros espíritas é o uso da água fluidificada. O procedimento recebe apoio de diversos guias espirituais, dentre os quais Emmanuel, Joanna de Ângelis e André Luiz. Embora a água seja por definição um fluido, quando dizemos que é fluidificada referimo-nos a fluidos mais sutis, imponderáveis, que se incorporam ao líquido, conferindo-lhe propriedades especiais.

    O Mestre Jesus utilizou-se inúmeras vezes da simbologia da água. Jesus iniciou seu ministério público após ser batizado nas águas do rio Jordão...

    No encontro com a samaritana, junto ao poço de Jacó, no diálogo sobre saciar a sede, o Mestre afirmou haver uma outra água, que dessedenta para sempre quem a sorve, e asseverou: ”Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna" (João, 4:14).

    Como todos os elementos da Natureza, a água nos fornece valiosas lições. Simboliza, entre outras coisas, a humildade. Desce do céu na forma de chuva; beneficia a todos os elementos com os quais entra em contato; contorna todos os obstáculos; passa sempre pelos locais mais baixos; flui pacientemente até fundir-se nos rios e, finalmente, na vastidão do oceano... Certa vez um guia espiritual disse: “a água é o carinho liquefeito da Natureza”.

    A água tem sido utilizada como veículo de medicamentos em diversos sistemas de cura vitalistas, como homeopatia, florais, fitoterapia, antroposofia, etc. Isso sem falar dos banhos medicinais...

    Os instrutores espirituais vinculados ao Espiritismo recomendam que se coloque um recipiente com água durante as orações, para ser tomada logo após, como complemento à ação da prece. Ensinam os mentores que, sempre que se fazem orações com sinceridade e fé, são introduzidos na água elementos sutis de poder curativo e revitalizante.

    Atividades cotidianas podem revestir-se de significado mais profundo, desde que feitas com a consciência desperta. O banho, por exemplo, pode ser não somente instrumento de higiene física, mas igualmente veículo de limpeza energética do campo áurico. Ao banhar-se, obtém-se maior benefício com a consciência de que a água limpa também as energias negativas que se acumulam ao redor do ser. O contato com a água de nascentes e cachoeiras puras, se feito também com pureza de coração, é muito benéfico.

    O simples ato de tomar um copo d'água com a consciência espiritual, com atenção e gratidão, desperta na água seus potenciais terapêuticos. O mesmo ocorre ao se oferecer água a alguém. Se feito com amor e intenções puras, esse simples gesto torna-se veículo de auxílio e cura.

    Grupos de Espíritos de várias ordens hierárquicas cuidam amorosamente das nascentes, dos rios e mares, das chuvas, da neve e de todos os fenômenos naturais de que a água é parte integrante. O ser humano ainda não despertou para a importância de sua contribuição à preservação da pureza da água.

    No planeta de regeneração em que a Terra está se transformando, todos os recursos naturais, inclusive a água, serão respeitados, preservados e usados com sabedoria. Desde já cooperemos no uso correto dos recursos e dádivas da Natureza, auxiliando na edificação do mundo melhor.


  • Chovia torrencialmente. O rio transbordava, as águas invadiam o vilarejo.

    Aquele crente, que morava sozinho em confortável vivenda multiplicou, orações, pedindo a assistência do Céu.
    Em dado momento, ante o avanço da enchente, foi para o telhado, confiante de que Deus o salvaria.
    As águas subindo…
    Passou um barco recolhendo pessoas ilhadas.
    – Não é preciso. Deus me salvará!
    As águas subindo…
    Passou uma lancha…
    – Fiquem tranqüilos! Confio em Deus.
    As águas subindo…
    Passou um helicóptero…
    – Sem problema! Deus me protegerá.
    As águas subiram mais, derrubaram a casa e o homem morreu afogado…
    Diante do Criador, na vida eterna, reclamou:
    – Oh! Senhor! Confiei em ti e me falhaste!
    – Engano seu, meu filho! Mandei um barco, uma lancha e um helicóptero para recolhê-lo!


    ***

    Não estamos entregues à própria sorte, como sugere o pensamento materialista de Jean Paul Sartre (1905-1980).
    O Senhor não esquece ninguém. A todos estende sua mão complacente, dando-nos condições para enfrentar nossas dificuldades e dissabores.
    Há um problema: raramente identificamos a ação divina. Isso porque as respostas de Deus nem sempre correspondem às nossas expectativas.
    Pedimos o que desejamos.
    Deus nos dá o que precisamos.
    Os temporais da existência simbolizam as esfregadas da Providência Divina, ensejando mudança de rumo.
    Senão, vejamos:

    1. A doença respiratória…
    2. O lar em desajuste…
    3. A dificuldade financeira…
    4. A perda do emprego…
    5. O acidente automobilístico…

    São situações constrangedoras que nos perturbam.
    Pedimos a ajuda divina.
    Deus vem em nosso auxílio, mas é preciso que nos disponhamos a tomar o barco do futuro, deixando no passado velhas tendências.
    Podemos considerar, na mesma seqüência, que:

    1. O tabagismo afeta os pulmões.
    2. A incompreensão conturba o relacionamento afetivo.
    3. A indisciplina nos gastos faz rombos nas contas
    4. A displicência profissional resulta em demissão.
    5. A irresponsabilidade no trânsito favorece desastres.

    A pouca disposição em encarar nossos erros e desacertos, como causa de nossas dificuldades e problemas, neutraliza a ação divina em nosso benefício.
    As crises sugerem mudanças.
    Se não mudamos com elas, sempre nos sentiremos abandonados por Deus, incapazes de identificar o socorro divino.


    ***

    A propósito vale lembrar interessante texto, que me veio ter às mãos, sem indicação do autor:

    Pedi a Deus para tirar os meus vícios.
    Deus disse:
    – Compete a ti superá-los.

    Pedi a Deus para fazer completo meu filho deficiente.
    Deus disse:
    – Seu Espírito é completo. O corpo é temporário.

    Pedi a Deus para me dar paciência.
    Deus disse:
    – Paciência não é dádiva. É aprendizado.

    Pedi a Deus para me dar felicidade.
    Deus disse:
    – Eu dou bênçãos. Felicidade depende de ti.

    Pedi a Deu para me livrar da dor.
    Deus disse:
    – Sofrer te afasta do mundo e te aproxima de Mim.

    Pedi a Deus para fazer meu espírito crescer.
    Deus disse:
    – Deves crescer por si próprio. Farei a poda para que dês frutos.

    Pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
    Deus disse:
    – Eu te darei Vida para que aprecies todas as coisas.

    Pedi a Deus para me ajudar a amar os outros como Ele me ama.
    Deus disse:
    – Ahhh! Finalmente entendeste

  • A busca de satisfação e alegria faz parte da aspiração pelo bem viver, e todas as pessoas procuram satisfazer suas necessidades, normalmente evitando o que lhes possa causar dor ou sofrimento. Ocorre que os critérios do que seja satisfatório variam enormemente, dependendo do nível evolutivo de cada ser.

    Peregrino da evolução, o ser humano caminha do primitivismo em que estagiou por largo período para a plenitude a que está destinado. Para conquistar essa herança divina, é imprescindível romper as densas camadas de egoísmo remanescente e abrir-se à fraternidade universal. Após incontáveis experiências e aprendizados através das reencarnações, a consciência gradualmente passa a sentir impulsos cada vez mais elevados, não mais de receber e ganhar, mas de doar, servir e cooperar.

    A transição do egoísmo para o altruísmo, da avareza para a generosidade, do apego para o desprendimento, marca o ingresso do ser humano em novo patamar existencial, em que mais elevados valores e princípios passam a orientar-lhe a vida.

    Vivemos em transição da ignorância para a sabedoria, das sombras para a Luz, e, nesse processo, nos esforçamos pelo gradual despojamento da tirania do ego até que conquistemos a supremacia do Self, do eu divino.

    Desde quando sente os primeiros lampejos de alegria interior pela prática do bem, a criatura passa a cultivá-la e ampliá-la, até que se torne contínua e natural manifestação da realidade interior. Nessa transformação, o serviço exercitado com boa vontade incorpora-se à natureza humana até tornar-se espontâneo.

    As escolas espiritualistas ressaltam a importância do serviço como instrumento de autoaprimoramento, bem como de manifestação e desenvolvimento das faculdades superiores da alma. No serviço altruísta descobre-se gradativamente uma fonte inesgotável de satisfação e alegria, com possibilidades sempre novas de ação iluminativa. Daí a relevância da prática da caridade nos ensinamentos espíritas, colocando-a como fator essencial à libertação espiritual, conforme a máxima de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”.

    A magia do serviço voluntário é que ele se torna ao mesmo tempo ferramenta de elevação e fonte de alegria interior. Quem serve com boa vontade experimenta estados interiores de bem-estar que nenhuma situação exterior consegue igualar.

    Quando a natureza inferior presente em todos nós tenta permanecer no domínio da existência, pelos desejos e exigências intermináveis que lhes são característicos, podemos, como atitude libertadora, ocupar a mente, o coração e as mãos no serviço ao bem, e perceber a sutil voz da consciência aprovando e incentivando o empenho de autossuperação, bem como sentir a satisfação interna decorrente da sua prática.

    O ser egoísta evita tudo o que lhe pareça desagradável e busca o que lhe seja prazeroso, segundo os critérios limitados da personalidade. O ser desperto para as realidades transcendentes da vida evita tudo o que signifique desequilíbrio ou desarmonia e procura estar em paz com a própria consciência pela prática incansável do bem, do serviço ao próximo e do que se fizer necessário, em qualquer circunstância, de acordo com os ditames do espírito.

    Os seres de consciência mais evoluída são invariavelmente generosos, doadores e servidores. Sentem imensa alegria e satisfação em cooperar nas tarefas de que fazem parte, nas ações enobrecedoras em que estão engajados, por isso nenhuma norma externa é necessária para que se disponham a auxiliar e servir. O indivíduo que despertou espiritualmente sente-se bem em praticar o bem, e se sentiria mal caso não o fizesse. Portanto, não é preciso que se lhe imponha a caridade, pois esta lhe brota da alma e se manifesta espontaneamente como fruto sazonado do espírito consciente do amor universal.

    Quando se aprofunda no autoconhecimento para a autotransformação, a pessoa desperta valores adormecidos na alma, os quais se expressam, naturalmente, na forma de serviço. A comunhão interna com a Fonte Divina transborda na ação externa em benefício de todos.

    Além da cooperação ostensiva, pode-se servir de inúmeras formas, nem sempre evidentes ou explícitas, como a prece, a meditação, o silêncio caridoso, o auxílio anônimo, o trabalho interior do perdão, a irradiação da paz...

    Do ponto de vista espiritual, a identidade de alguém se revela, entre outras coisas, pela sua capacidade de servir e pela prontidão em colaborar nas ações que visam ao bem comum.

    Oferecer-se espontaneamente para servir, nas mais diversas situações da vida comum, nos círculos domésticos ou de trabalho, na via pública ou na convivência social, é caminho seguro para o desenvolvimento das aptidões mais elevadas do espírito, fontes de realização interior. Desse modo, o prazer de servir revela e reforça, em grande parte, a alegria de viver.

  • O ser humano, dotado de vários atributos e aptidões, busca se expressar de diversos modos, na vida de relações que estabelece como ser gregário que é.

    Dentre as manifestações humanas tomemos a arte, em seus diversos aspectos, como objeto de reflexão. Qualquer que seja a forma de expressão artística, ela sempre revela um impulso criador, que procura meio de se expressar. A arte permite comunicação e comunhão através de formas não puramente racionais, ou seja, utiliza-se de linguagens e meios que transcendem a racionalidade. Seja por meio de poesia, pintura, escultura, música e tantas outras formas, o artista expressa algo de si mesmo e do universo de sua percepção, e principalmente algo do seu mundo subjetivo e imaginativo, provocando no seu público sensações e estados de espírito de caráter estético.

    Qualquer artista ao produzir uma obra revela conteúdos de si mesmo, sua visão de mundo, seus valores e nível de consciência.

    Os critérios de qualidade artística variam grandemente e dependem do contexto histórico e cultural, das influências a que determinado povo está sujeito, a condicionamentos e tradições, etc.

    A arte tem o poder de influenciar o público que a aprecia. Desse modo, livros, pinturas, esculturas, poesias ou músicas são capazes de provocar sentimentos, sensações e até induzir as pessoas a determinadas atitudes. Esse poder que a arte possui necessita estar subordinado aos valores éticos para que o impulso criativo não se converta em instrumento de degradação, como vem ocorrendo na época atual em larga escala, entre artistas de todas as áreas.

    O artista, ao expor os objetos de sua criação à apreciação pública, torna-se, perante a Vida, responsável por todos os efeitos que sua obra produza naqueles que venham a apreciá-la. Cada um é integralmente responsável por tudo o que cria.

    Para ser expressa sem restrições a arte precisa de um amplo espaço de liberdade. O processo criativo se dá quando se é livre. Ocorre que, se essa liberdade não estiver conjugada a um espírito de equilíbrio e a valores elevados, pode transformar-se em instrumento dos vícios e inferioridades que o autor traga como herança de si mesmo. Somente quem conquistou harmonia e pureza interiores pode manifestá-las artisticamente como verdadeira beleza.

    A arte, sob a visão espiritualista, é um canal por meio do qual o Divino se materializa expressando beleza, encanto e harmonia. Uma das funções da arte é a comunhão dos seres através da sensibilidade estética, possibilitando aos seus apreciadores apreender algo de sutil e transcendente que a obra de arte expresse. Há sempre mensagem, explícita e oculta, em qualquer obra de arte, a qual é passada a quem a aprecia.

    Qualquer manifestação artística transmite, além do conteúdo estético, o teor vibratório de acordo com sua natureza e das forças que inspiraram sua criação.

    A arte possui poder intrínseco, pois comunica, informa e transforma - ou deforma - através das mensagens que transmite. Somente um ser espiritualmente educado pode conduzir o impulso criativo a se expressar com dignidade e verdadeiro valor.

    Avaliada sob a perspectiva da espiritualidade, a arte tem a função sagrada de contribuir para o aperfeiçoamento da humanidade através da beleza e equilíbrio das formas. O impulso criativo, presente em todos os seres humanos precisa, para cumprir suas funções evolutivas, servir de instrumento da alma que se expresse em harmonia através da matéria. O ser espiritualizado, quando cria, faz de seu corpo instrumento através do qual dá forma a percepções e sentimentos elevados e puros.

    Sabemos, pela ótica espiritualista e evolutiva, que existem inúmeros níveis e tipos de manifestações artísticas, desde aquelas que refletem os desequilíbrios e conflitos dos seus autores - que na atualidade são maioria, a refletir a crise que vivemos pela degradação de valores - até as expressões de elevação e sublimidade dos grandes gênios da pintura, música, literatura, etc. Se buscamos o caminho espiritual e nos empenhamos em melhorar o mundo em que vivemos, aprendamos a valorizar a arte em sua pureza, procurando apreciar obras que nos enlevem e elevem, que transmitam paz e alegria. Que possamos escolher expressões artísticas diante das quais sintamos manifestações divinas materializadas pela magia da criação humana.

    O artista é criador e intérprete de si mesmo e das energias nas quais se inspira. É também, e sempre, intermediário do Divino, pois o Criador cria através das criaturas.

    A arte é faculdade anímica associada à mediunidade criativa. Todo artista é médium, consciente ou não. Como qualquer outra faculdade, a aptidão artística requer educação, não apenas na técnica, mas principalmente na essência, para que tenha o valor de trazer conteúdo e mensagem inspirados pela alma e inspiradores de beleza e alegria no mundo.

    A educação artística com base na espiritualidade e nos valores éticos mais elevados pode favorecer o desenvolvimento da sensibilidade estética aliada à sensibilidade anímica, meta elevada que a educação e a arte podem alcançar.

    O processo de criação é um dos atributos humanos, pois todos somos criaturas–criadoras, em processo de aperfeiçoamento até que um dia possamos manifestar com maior perfeição o que provém da essência da vida. Nesse nível seremos como espelhos límpidos a refletir na matéria as sublimes belezas do Espírito. Até lá procuremos embelezar nosso caráter e aprimorar nossas virtudes, como artistas de nós mesmos e artífices do próprio destino feliz.

  • A audição, função fisiológica pela qual o ser percebe os sons e os reconhece através do aparelho auditivo, é compartilhada pelo homem e demais criaturas do reino animal. No ser humano, porém, a percepção auditiva ganha características e significados que o distinguem dos demais seres, seus irmãos menores na escala evolutiva. O homem contextualiza o que percebe e atribui significados mais complexos àquilo que ouve.

  • Objeto de interesse e atenção de grupos espiritualistas desde há muito, a aura humana tem merecido recentemente novas referências em textos, livros e ensinamentos.

  • A Bíblia é a referência espiritual fundamental dos cristãos – católicos romanos, ortodoxos, protestantes, espíritas e outros ramos menos conhecidos do Cristianismo.

    Ao lado de livros considerados sagrados, como o Bhagavad-Gita dos hindus e iogues, o Tao Te Ching dos chineses, o Alcorão dos muçulmanos, dentre outros, a Bíblia é um dos textos religiosos mais importantes da Humanidade.

    Divide-se em duas partes principais: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Este último se inicia com o Evangelho de Mateus e termina com o Apocalipse, livro escrito por João evangelista.

    A Bíblia tem suscitado polêmicas, controvérsias e debates quanto à autoria de vários de seus livros, bem como à veracidade e autenticidade dos mesmos, ao problema das traduções – diferentes e até contraditórias entre si – e, ainda, à diversidade de interpretações dos textos.

    O Espiritismo estabelece, historicamente, que a revelação espiritual da qual faz parte é dividida em três momentos. Moisés, receptor e divulgador do Decálogo, ou dez Mandamentos, é considerado o portador da Primeira Revelação. Jesus, que foi a mais perfeita personificação das virtudes e o maior intérprete da Mensagem Divina ao mundo, representou a Segunda Revelação. A Doutrina Espírita, cujo início foi em 1857 com a primeira edição de O Livro dos Espíritos, é considerada a Terceira Revelação.

    A revelação espírita, desde o seu início, concebe a Bíblia composta de partes humanas, com relatos sobre povos, guerras, conflitos e informações socioculturais, e outras de conteúdo mais espiritual, as quais representam propriamente a “alma” da Doutrina. Essa parte, considerada essencial, se baseia nos ensinos de Jesus e de seus discípulos diretos, muitos dos quais, desencarnados, posteriormente participaram ativamente da codificação do Espiritismo.

    O bom senso – uma das principais características do pensamento espírita desde seu codificador Allan Kardec – sábia e propositalmente deixou de lado as questões mais polêmicas ou menos relevantes sobre fatos bíblicos, concentrando-se na essência da mensagem do Mestre Jesus.

    O primeiro livro espírita a tratar especificamente de temas bíblicos foi O Evangelho Segundo o Espiritismo, compilado e comentado por Kardec. Nessa obra o codificador explica alguns trechos, considerados mais relevantes, da mensagem que Jesus nos deixou. No livro também há instruções e esclarecimentos de sábios desencarnados, obtidos por via mediúnica, sobre os temas evangélicos abordados.

    Segundo o Espiritismo a Bíblia, embora de inspiração superior, não é um livro inteiramente “divino”, ou seja, cujos ensinamentos sejam verdades inquestionáveis, infalíveis, ou que devam ser seguidos cegamente. Ao contrário, a Doutrina nos convida ao exercício da razão, da fé esclarecida e iluminada e ao uso da intuição para extrairmos dos textos bíblicos o conteúdo mais verdadeiro e puro, o espírito por trás da letra.

    Os profetas bíblicos são tidos pelo Espiritismo como médiuns, todos eles inspirados em suas obras, cada um dos quais tendo filtrado os conteúdos espirituais segundo os recursos psíquicos de que dispunham.

    Determinado ensinamento bíblico pode ensejar diversas interpretações, revelando as diferentes possibilidades de compreensão – reflexos dos muitos níveis de consciência pelos quais a Verdade é percebida.

    De acordo com os ensinos espíritas a Bíblia não é o único livro de inspiração divina oferecido à Humanidade. Os povos, em várias épocas e diferentes culturas, sempre receberam instruções espirituais do Alto de acordo com seu grau evolutivo e necessidades coletivas. Portanto, se a própria Bíblia não contém verdades absolutas nem exclusivas, nenhuma interpretação dos seus textos – incluindo as espíritas – pode ser considerada definitiva.

    Jesus nos ensinou sobre a relatividade de alguns preceitos bíblicos. Quando se defrontava com alguma situação que requeresse atitude diversa da que era adotada pelos seguidores do Antigo Testamento, ensinava padrões mais elevados de conduta. “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo! Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam...” (Mateus 5, 43-44). Jesus expressou claramente a não aceitação de certos preceitos tradicionais, e demonstrou que Seus ensinamentos estavam muito acima e além daqueles consignados em textos antigos. O Mestre transcendeu os princípios e referenciais do Antigo Testamento com Sua mensagem e exemplo insuperáveis.

    Desde os tempos de Allan Kardec muitos autores espíritas vêm colaborando de forma expressiva para o esclarecimento dos textos e temas bíblicos. Há estudiosos do assunto que escrevem sob inspiração superior, bem como os médiuns, que transmitem diretamente as mensagens dos desencarnados. A obra espírita concernente à Bíblia trata essencialmente do Novo Testamento, à luz dos novos ensinamentos espiritistas.

    Há inúmeros livros mediúnicos que comentam e dissertam sobre trechos do Novo Testamento, dentre as quais podemos citar: Caminho, Verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz, Fonte Viva, Palavras de Vida Eterna, Ceifa de Luz, Livro da Esperança, Segue-me – todos de Emmanuel (espírito), psicografados por Chico Xavier. Há muitos outros livros, de diversos autores, encarnados e desencarnados, que tatam de temas evangélicos.

    A Doutrina Espírita trouxe grande contribuição à compreensão dos textos evangélicos, pois os retirou das interpretações arbitrárias, personalistas e dogmáticas, bem como libertou a mente humana das deturpações que sofreu o Cristianismo primitivo através dos tempos, pelos interesses obscuros de quantos se intitularam intérpretes exclusivos dos textos sagrados.

    Outra colaboração fundamental do Espiritismo – doutrina progressiva e progressista – tem sido a revelação, por via mediúnica, de fatos, histórias e ensinamentos cristãos que não se encontram na Bíblia, ampliando assim as informações disponíveis sobre o tema, expandindo a visão do Cristianismo a todos os que queiram se aprofundar na compreensão da Boa Nova.

    O Espiritismo considera Jesus o Espírito mais puro e perfeito que já veio ao mundo, tendo-O como o Modelo e Guia da Humanidade. Por isso mesmo, sempre elegeu os ensinos e exemplos do Mestre como os mais sublimes ofertados pela Divindade ao ser humano. A missão espírita, em seu aspecto religioso, é a de aprofundar a compreensão das lições deixadas por Jesus, para que o ser humano da atualidade, mais maduro e esclarecido que os cidadãos da antiguidade, possa melhor assimilar e, assim, aplicar com mais proveito os sublimes preceitos do Cristo – divino roteiro para a felicidade humana.

     

     

  • Dionísio, o Velho (430-367 a.C.), general astuto e hábil, salvou Siracusa do domínio de Cartago, tornando-se rei.
    Sua fama era péssima. Impunha-se pela força e a crueldade. Não obstante, tinha seus temores.
    Como todos os tiranos, trazia as barbas de molho; desconfiava de tudo e de todos.
    Imaginava-se prestes a ser envenenado ou apunhalado por covardes traidores e implacáveis inimigos.
    Um de seus cortesãos, Dâmocles, incensava a vaidade do tirano, situando-o como alguém invejável por suas riquezas e poderes.
    Dionísio dispôs-se a demonstrar-lhe que não era bem assim…
    Certa feita, o convidou a tomar seu lugar numa festividade. Seria rei por uma noite, a fim de experimentar as delícias do poder.
    Em plena euforia, cercado de aduladores, Dâmocles sentia-se o dono do Mundo, ainda que por breves horas.
    Extasiava-se, quando, ao olhar para o teto, pôs-se trêmulo e apavorado.
    Viu uma espada afiadíssima, suspensa sobre sua cabeça, tendo a sustentá-la frágil crina de cavalo.
    Dionísio explicou-lhe que essa era sua própria condição. Permanentemente ameaçado por incontáveis perigos.
    Já que Dâmocles quisera desfrutar os prazeres do poder por uma noite, experimentaria, também, a perspectiva apavorante:
    A espada poderia desabar sobre sua cabeça, perfurando-lhe os miolos.
    Podemos imaginar o que foi aquela noite para o pobre cortesão…

    ***

    A espada de Dâmocles simboliza a precariedade das situações humanas.
    Doenças, dificuldades, problemas, desilusões, amarguras, dores, acidentes, roubos podem nos atingir inesperadamente.
    A própria morte, não raro, aproxima-se sorrateira. Age como um ladrão. Não sabemos quando, onde e como se apresentará.
    Viver é um risco. É por isso que muita gente situa-se inquieta, tensa, nervosa, à maneira do apavorado cortesão.

    ***

    Não obstante, podemos conservar, em qualquer situação, a capacidade de viver tranqüilos e felizes.
    Basta lembrar que, acima das contingências humanas, há a presença soberana de Deus, o Senhor Supremo.

    Diz o salmista (Salmo 23):

    O Senhor é o meu pastor.
    Nada me faltará.
    Deitar-me faz em pastos verdejantes.
    Guia-me mansamente a águas tranqüilas.
    Refrigera a minha alma.
    Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.
    Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo…

    Proclama o apóstolo Paulo (Romanos, 8:31):

    Se Deus estiver conosco, quem estará contra nós?

    É exatamente assim, amigo leitor.

    Considerando que Deus está sempre conosco, não há por que temer absolutamente nada, nem mesmo a morte. O Senhor nos amparará quando ela nos embarcar, inexorável, no comboio para o Além, desdobrando-nos novas experiências.

    Devemos considerar apenas uma questão pertinente, algo de que devemos cogitar todos os dias, ajudando-nos caminhar sem desvios e com segurança: Estamos com Deus?

    A ESPADA DE DÂMOCLES, de Richard Simonetti, no livro RINDO E REFLETINDO COM A HISTÓRIA

  • Já repararam como nos desequilibramos com facilidade?

    Através dos anos, conversando com pessoas que necessitavam de ser ouvidas, de um desabafo, além de meus próprios percalços, percebi que, na realidade, temos uma fé vacilante! Deixamo-nos engolfar nos problemas e eles tomam conta de nosso ser!

  • Uma das virtudes da alma, a fé sempre foi considerada pelos instrutores espirituais essencial durante a caminhada humana. Base e sustentáculo de outras qualidades anímicas, tem papel fundamental nas conquistas evolutivas e no fortalecimento moral das criaturas. Como as demais virtudes, pode ser cultivada e desenvolvida.

    Na sua longa jornada evolutiva, antes de amadurecer na experiência, o Espírito que ainda não desenvolveu significativamente as próprias convicções precisa de fortes referenciais externos para sustentar sua crença. Nesse período os movimentos religiosos de caráter mais dogmático e impositivo podem satisfazer sua necessidade de segurança. À medida que amadurece e cresce em consciência, cada vez mais busca no próprio interior as respostas às indagações da alma.

    O ser espiritualmente imaturo, ao professar e cultivar determinada fé, ainda rudimentar e fragmentária, caso se desvie para a intransigência, pode enrijecer-se e cristalizar-se no fanatismo. Podemos conceber o fanatismo como a crença cega acompanhada de intolerância e até hostilidade para com seguidores de convicções diferentes. Tal postura sempre trouxe infelizes consequências à humanidade.

    Embora usadas muitas vezes como sinônimos, existe marcada diferença entre crença e fé. A crença se baseia num ato de boa vontade de quem acredita em algo desconhecido ou não compreendido. A fé se fundamenta em certeza interna que não depende de crença, embora, nos seus primórdios, e durante certo período evolutivo seja necessário acreditar em algo que ainda não se experimentou. Somente quando plenamente desenvolvida é que a fé dispensa qualquer tipo de crença.

    Entre o período em que se necessita crer e a fé pura, existe uma fase intermediária, de racionalidade, isto é, quando a convicção se baseia na razão e na aceitação de princípios que pareçam lógicos. Embora mais avançada que a crença, nesse nível ela ainda está no âmbito do ego, portanto passível de oscilações e sempre sujeita a questionamentos, dúvidas e confrontos. Em nível mais elevado, ou mais profundo, encontra-se a verdadeira fé, acima e além dos raciocínios da mente falível e questionadora. O ser que mergulha profundamente em si mesmo e silencia os sentidos e a mente pode perceber a realidade do Espírito e sentir-se Espírito. Essa vivência única consolida e sustenta a fé inabalável, que pode encarar face a face a razão.

    A crença precede a fé. A razão questiona a fé. A fé dispensa a crença e está além da razão.

    Quem crê ainda não tem verdadeira fé.

    Quem tem fé não precisa crer, pois sabe, sente e vive a verdade.

    A fé provém de um contato com a essência mais profunda do ser, o Self, segundo alguns instrutores, inclusive espíritas, ou Eu Superior das escolas esotéricas. Somente a partir desse nível profundo é que se pode alimentar e consolidar a fé verdadeira.

    É da comunhão da alma com o Divino que vem a certeza inabalável, a força e a coragem insuperáveis para enfrentar os desafios da existência. Os que ainda não sentimos a fé em tal magnitude, precisamos despertá-la e cultivá-la mediante regulares períodos de reflexão, oração e meditação e depois exercitá-la e consolidá-la através de ações corretas e construtivas.

    A fé verdadeira e profunda vai muito além das dimensões que a ciência e a filosofia abrangem, por isso mesmo não necessita ser provada nem sujeita a especulações infrutíferas. Resulta de uma vivência interior de certeza e paz que nenhum fato ou argumento externo pode mudar.

    Há um ditado que afirma: “para quem tem fé nenhuma prova é necessária; para quem não a tem nenhuma prova é suficiente”.

    Ninguém pode transmitir a fé a outra pessoa. Pode dar informações e sobretudo exemplos que façam com que o outro desperte o interesse e inicie sua jornada interior para depois sentir por si mesmo as realidades espirituais.

    A fé reflete o nível de consciência espiritual, pois pertence aos domínios do invisível e do imponderável, da conexão com a Divina Fonte da vida.

    No início do despertar da fé, é preciso ver para crer; depois de certo amadurecimento espiritual é necessário crer para ver, isto é, é preciso ter sabedoria e fé para enxergar os fenômenos e fatos sob a ótica do Espírito e da verdade.

    A fé que transporta montanhas – o cultivo da fé acessa realidades superiores de onde provêm forças e energias de grande poder realizador e transformador. A fé nos ajuda a transmutar o carma negativo, dando-nos coragem e motivação para o amor e o serviço, capazes de mudar nosso destino para melhor. A fé não é uma virtude passiva, mas se manifesta através das obras que lhe atestam a veracidade, em dinamismo renovador.

    O sentimento interno da fé se expressa como certeza, a qual tem o poder de se materializar e co-criar a realidade externa. Em todas as curas realizadas por Jesus Ele enfatizava a importância e o poder da fé daqueles que o procuravam.

    Somente a fé traz a força necessária diante das adversidades do caminho e sustenta o ser em sua missão e nas tarefas na jornada evolutiva.

    A fé sempre produz frutos e se manifesta em obras. Provém do contato silencioso e invisível da alma com o Criador, em experiência mística, e se reflete no serviço às criaturas, na ética da ação benéfica.

    Qualquer um, independente de sua condição evolutiva ou da situação exterior, pode, se o quiser, através da viagem interior descobrir o tesouro da fé, pois, como filhos de Deus, todos podemos sentir-Lhe a presença.

  • Você certamente já deve ter ouvido slogans como estes: “Vem ser feliz!”, “Abra a felicidade”, “Felicidade é usar XXXX e dar férias para os seus pés”. Pois é, a felicidade tornou-se um produto, e como tal, é oferecida a quem possa pagar seu preço.

    Podemos encontrar ofertas de felicidade em todas as partes, nas prateleiras dos supermercados e das drogarias, nos cartazes publicitários, nas revistas de moda, nos comerciais e programas de TV, enfim, basta olhar com atenção para descobrir que nestes tempos a felicidade e o consumo andam de mãos dadas e comumente se confundem.

    Possuímos uma inclinação natural para buscar a felicidade, a publicidade se aproveita disto ao nos apresentar seu “modelo de vida ideal”. São cenários paradisíacos, mansões e palacetes, habitados por pessoas jovens, bonitas, ricas, passeando em seus barcos, ostentando jóias caras e comendo iguarias em ambientes impregnados de sensualidade. De tanto conviver com estas imagens, e aliada à nossa necessidade de aceitação e inclusão social passamos a acreditar que este é o nosso modelo de felicidade.

    Quanto mais, melhor!

    A aquisição de um bem geralmente atende a uma suposta necessidade ou a um desejo, e tudo o que traz satisfação produz uma sensação de bem-estar, e é este bem-estar que é comumente confundido com a felicidade. Neste ponto o quadro se complica, pois, se uma coisa lhe fez feliz, parece certo que mais coisas lhe farão mais feliz. Errado! E o resultado disso é o número crescente de pessoas sentindo-se cada vez mais dependentes e deprimidas atravessando graves problemas financeiros, por conta de uma necessidade pueril de consumo.

    Se possuímos algo somos felizes, se não possuímos, então, nos lançamos à batalha, muitas vezes, infligindo esforços acima de nossas reais capacidades, lançando mão de todos os nossos recursos para possuí-lo, e como resultado, vemos pais e mães ausentes que trabalham tanto que não acompanham o desenvolvimento dos filhos, atribuindo a estranhos a sublime tarefa da transmissão de valores morais aos mesmos. Acredito realmente que o consumismo é um dos piores maus da sociedade moderna, se investigarmos profundamente, veremos que boa parte dos nossos problemas tem origem neste mal.

    As duas maiores indústrias do mundo são a da alimentação e a de medicamentos. Explico: Comemos em demasia até adoecermos, e então compramos remédios para nos devolver a saúde. Enquanto isto, mais de um bilhão de habitantes passam fome neste planeta.

    Aparentemente, esta filosofia do “ter” tem mais relação com o orgulho exacerbado, e com a necessidade de aceitação social, do que propriamente pelo prazer de usufruir dos benefícios deste ou daquele bem.

    Avalie melhor suas reais necessidades

    Saia o quanto antes do círculo vicioso do consumismo, reflita sobre o esforço necessário para a aquisição deste ou daquele bem e sobre sua real utilidade em sua vida. E tenha em mente que isto não a fará mais feliz.

    Saiba lidar com as frustrações

    Você não é mais uma criança. Vigie e evite os episódios de cólera, comporte-se como alguém que reconhece a natureza de suas decepções. Há um tempo para plantar e outro para colher, alimente uma fé sincera e serena na Divina Providência.

    Cultive a prática da gratidão

    Olhe ao seu redor… O que vê? Faça uma lista daquilo que recebeste, seja fruto de seu trabalho ou de conquistas familiares, o fato é que nesta Terra, somos todos usufrutuários dos bens que pertencem realmente a Deus. Agradeçamos todos os dias por cada pequena coisa que nos foi confiada, sobretudo pelas pessoas de nosso convívio, pelo amor e pela amizade, pelas boas vibrações que recebemos daqueles que nos querem bem. Agradeça!

    Discipline-se para hábitos saudáveis

    A alimentação exerce papel importante sobre nosso estado mental e respectivamente sobre nosso comportamento. Cansaço, impaciência, agressividade podem ter potencializados por maus hábitos alimentares. Coma menos, coma melhor, diminua o consumo de carne, substituindo-a por frutas e vegetais frescos, beba bastante água e reserve um tempo para a prática de uma atividade física.

    Pra ser feliz...

    Coisas foram feitas para serem usadas e pessoas para serem amadas. Gente é que faz gente feliz.

    “Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.

    As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.

    A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção.

    Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti.

    Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

    Reúne essas florezinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução.”[1]

    [1]Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos Enriquecedores - Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

    Força Sempre!

  • Uma das melhores médiuns de todos os tempos, Yvonne A. Pereira, até hoje altamente referenciada no meio espírita, passou o seguinte depoimento pessoal no seu livro Devassando o invisível (FEB):“No ano de 1.915, no correr de memorável sessão a que assistiram nossos pais, em seu próprio domicílio...

  • Diante dos inevitáveis problemas e desafios que a existência nos apresenta diariamente, é importante sabermos como enfrentá-los e resolvê-los da melhor forma possível, a fim de aproveitarmos as situações, convertendo-as em oportunidades de aprendizado, crescimento interior e realização.

    Com esse propósito, podemos citar algumas atitudes que, segundo sábios e bondosos instrutores espirituais, possuem poder especial, oferecendo-se como recursos valiosos nas mais diversas situações da vida de todo ser humano. Todas elas são expressões da força interior de que todo ser humano é dotado como criatura divina em marcha evolutiva.

    Desafiado por ocorrências difíceis que não se sabe como solucionar, a paciência pode representar a atitude mais adequada, até que se possa capacitar e fortalecer para enfrentá-las.

    Em face de pressões externas que se afiguram insuportáveis, um breve mergulho no silêncio interior permite renovar as energias e vislumbrar um panorama diferente.

    Quando acometido por uma dúvida sobre algo que parece importante, a calma e a reflexão, junto à sincera intenção de acertar, são capazes de oferecer a solução mais sábia.

    Defrontado por situações que convidem à desonestidade, a consulta e obediência à própria consciência têm o poder de dissipar qualquer tendência a comportamentos menos dignos e de assegurar a tranquilidade da alma.

    Quando as condições externas se mostrem ameaçadora, a paz interior é o mais poderoso antídoto ao desespero e o mais seguro refúgio.

    Diante do desalento e da descrença coletivos, a chama da fé é capaz de iluminar o caminho e realizar prodígios.

    Ao deparar com a violência e a agressividade que se generalizam, a serenidade íntima é santuário inviolável onde se pode permanecer com segurança.

    Respondendo à crescente onda de conflitos e desajustes nos mecanismos sociais, o equilíbrio psíquico assegura o prosseguimento tranquilo nas tarefas construtivas que se possa realizar.

    Observando a presença dos vícios em todos os setores da sociedade, o cultivo da pureza interior garante a permanência no caminho correto e protege contra influências obscuras.

    Quando a situação externa parece um contínuo convite à tristeza, a alegria interior tem o poder de sustentar os corações na insuperável satisfação de servir e amar.

    Em face da crescente onda de negatividade que tem atingido cada vez mais pessoas, uma vida consagrada aos ideais mais elevados pode assegurar imunidade psíquica contra as forças sombrias que têm se manifestado no mundo.

    Com a disseminação do medo, sob todas as suas formas, trazendo grande sofrimento ao coração humano, a plena confiança nos desígnios divinos garante coragem invencível e segurança inabalável.

    As atitudes mencionadas, dentre tantas outras, refletem uma força interior, fruto das virtudes que todos possuímos, embora muitas ainda em estado latente, aguardando serem acionadas e dinamizadas. São ferramentas capazes de operar grandes transformações positivas na realidade individual e, consequentemente, coletiva, e certamente podem ser evocadas e desenvolvidas mediante uma adequada educação voltada à formação integral do ser humano.

    Nesse sentido, os movimentos espiritualistas e religiosos podem contribuir significativamente, desde que cumpram seu papel educador e transformador – como é o caso da Doutrina Espírita – ao trazerem instruções e oferecerem meios para que se desenvolvam os potenciais interiores, capacitando os seres a enfrentar e solucionar os desafios existenciais. O Espiritismo, ao revelar a origem, natureza e destino do ser humano com base na sua realidade transcendente, favorece o despertar das referidas potencialidades anímicas bem como o exercício consciente das virtudes necessárias ao bom aproveitamento da existência física.

    Haver realizado esse ideal é um precioso legado daqueles que, pelos ensinamentos, mas sobretudo pelo exemplo, demonstraram possuir um poder capaz de superar qualquer obstáculo para prosseguir nas tarefas luminosas a que se dedicaram. Conhecidos como santos, sábios, mestres e líderes, manifestaram uma força extraordinária provinda do interior, que os impulsionou e sustentou na execução da missão que abraçaram. A história está repleta de exemplos dessas pessoas notáveis, cujas vidas merecem ser mais bem conhecidas e divulgadas, como fator educativo e motivador das ações humanas.

    O reconhecimento dos potenciais humanos e a possibilidade de expandi-los à medida que são vivenciados traz uma perspectiva essencialmente otimista, o que seguramente enriquece e preenche de significado as experiências da existência humana, no seu caminho para a plenitude. Eis uma proposta viável, pois já realizada por inúmeros indivíduos, com resultados positivos; perspectiva desafiadora, mas fascinante – cooperar com o desenvolvimento do potencial interior do ser humano, favorecendo uma transformação para melhor na realidade existencial.

  • Uma nova geração está chegando com muita força no meio empresarial e religioso. É conhecida como Geração Y. E ao contrário do que muitos líderes empresariais e religiosos pensam, não são irresponsáveis, são, sim, questionadores. Não aceitam a liderança imposta, aceitam a liderança conquistada. Não trabalham para fazer carreira numa empresa e ali trabalhar por toda a vida, mas, sim, trabalham para fazerem algo com sentido num ambiente prazeroso e crescerem profissionalmente de forma rápida. Se não encontram estas circunstancias na empresa em que trabalham, demitem-se, procuram novas empresas. Os jovens desta geração têm muita pressa. Por isto são tachados de inconstantes e irresponsáveis. Benditas inconstância e irresponsabilidade. Ricardo Khauaja, Diretor de Recursos Humanos da Whirpool Latin America diz que “para os mais antigos, a velocidade da Geração Y é estímulo para sair da zona de conforto”.

    A empresa que não propicia bom ambiente vê jovens rebeldes e “mal educados”. E realmente assim podem ser taxados, pois esta nova geração não é composta de anjos. São pessoas que tendem ao bem, o que já significa um grande progresso para a humanidade, mas não necessariamente são pessoas boas. Têm – como todos nós – o seu lado mal, pois a dualidade está presente em todas as pessoas. Como a psicologia explica, somos bons e maus, humildes e orgulhosos, democráticos e autocráticos. Nós somos nós e nossas circunstâncias. Isto é, há circunstâncias específicas que nos estimulam a colocar em ação nosso “lado” bom e outras circunstâncias que nos induzem a agirmos com a força no nosso lado mau. Então, como somos nós e nossas circunstâncias, num ambiente ruim, materialista, o “pior” desta nova geração irá sobressair.

    Mas se a empresa propicia um ambiente prazeroso, de desafios, de respeito ao próximo, de respeito aos funcionários, aos clientes, à comunidade e ao meio ambiente, irá perceber que irá aflorar o que há de melhor neste jovem da nova geração. E a empresa muito irá ganhar com isto. Pois esta nova geração é muito especial, haja vista – como já foi dito - que nela prepondera o bem. E, para o bem da humanidade, a ética tem um valor especial para a Geração Y.

    Eline Kulloc, Presidente do Grupo Foco reforça que “é uma geração com elevada auto-estima, ensinada a ser independente e a ter pressa, o que explica a irritação que sentem quando não promovidos a gestores em dois anos. (...) Para as empresas, o ideal é mesclar as gerações, entendendo suas diferenças de forma a promover um dialogo produtivo.” Em outras palavras, a geração anterior e a nova têm ambas a aprender uma com a outra. O imediatismo da geração nova deve ser somado ao planejamento rigoroso da geração anterior, o que paradoxalmente irá gerar projetos melhor elaborados, implicando na adoção de passos “certos”, que são mais importantes do que passos “rápidos”, o que resultará em benefícios em prazos mais curtos.

    A antropóloga Regina Novaes, do Ibase, retrata com fidelidade a característica desta nova geração (jornal Estado de São Paulo de 14 de junho de 2009), disse ela: “A visão negativa da juventude, retratada como irresponsável, é ultrapassada. O reconhecimento dos jovens sobre o que é importante, como a dificuldade de acesso ao trabalho, o ensino e a violência, impressiona”.

    Somente o diálogo entre as gerações fará com que o mundo corporativo e institucional bem aproveite do que há de bom na geração nova e também na geração mandante.

    Enquanto isto, no campo da espiritualidade um novo desafio surge às religiões não-reencarnacionistas. Os jovens da nova geração são na grande maioria adeptos da tese reencarnacionista. Já nasceram com esta convicção. Esta crença não é produto do ensino familiar ou educacional. É conseqüência apenas do raciocínio lógico da nova geração. Pesquisa presente na revista Época (Editora Globo), de 15 de junho de 2009, constata esta realidade, de cada 10 jovens praticamente 7 acreditam na reencarnação, ou, mais precisamente, a pesquisa informa que 67% dos jovens acreditam na reencarnação. No entanto, num paradoxo incrível, quase 100% dos jovens, para ser mais exato, 97%, adotam religiões não-reencarnacionistas! Reforçando, são reencarnacionistas, mas freqüentam religiões que não tem esta visão! Esta constatação leva-nos a duas reflexões:

    a) As religiões não-reencarnacionistas precisam aprender com o raciocínio lógico dos jovens, e adotarem a reencarnação como um fato incontestável. Ou perderão seus fiéis da nova geração.

    b) O Espiritismo, e também outras doutrinas reencarnacionistas, precisam se aproximar das doutrinas não-reencarnacionistas para levarem a elas – com humildade e respeito – a realidade das vidas sucessivas, pois o “campo está aberto pelos 67% dos jovens que acreditam na tese reencarnacionista”.

    Na condição de espírita, questionemo-nos: qual deverá ser nossa estratégia para num processo urgente e contínuo, cooperarmos com as demais religiões em relação à tese reencarnacionista? Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, afirmou que as religiões irão mudar pela base. Por exemplo, no catolicismo não será o Papa que irá decretar esta realidade reencarnacionista, mas, sim, os padres de cada paróquia, bem como no protestantismo os pastores protestantes, tenderão a aceitar esta tese pela pressão dos seus adeptos. A pressão da mudança virá de “baixo” para “cima”. Fazendo com que um dia os líderes maiorais não tenham como fugir da realidade reencarnacionista.

    Cabe-nos, portanto, enquanto espíritas, nos aproximarmos da base das religiões, por exemplo, presenteando padres e pastores com os livros kardequianos, caso tenhamos liberdade para este tipo de atitude, sem ferir o direito de opção do outro. Além do que é fundamental que nesta nossa atitude estejam presentes a fraternidade, a humildade e o profundo respeito à crença alheia.
    A seguir exponho informações que estão no meu livro Aprimoramento Espírita (Editora Truffa), que dão base à tese deste artigo.
    O Espiritismo não será a religião do futuro, mas nós espíritas acreditamos que seus princípios relacionados com as leis naturais, como reencarnação e comunicabilidade com os espíritos, passarão a fazer parte da crença das demais religiões. Não vemos esta ocorrência futura como um conquista dos espíritas, mas, sim, como a oportunidade da consagração do necessário, porque não dizer imprescindível, exercício do ecumenismo.

    Como em todas as religiões a mediunidade está presente, chegará o dia em que as religiões irão abrir os olhos em relação ao útil conteúdo filosófico e científico da Doutrina Espírita. Irão descobrir o quanto poderão enriquecer o aspecto mediúnico presente em cada crença religiosa, com o conhecimento que o Espiritismo dispõe nesta área.

    O Catolicismo continuará existindo. O Protestantismo e outras religiões continuarão existindo. No entanto, o Espiritismo, que também continuará existindo, irá contribuir com as religiões, em geral, no seu aspecto científico e filosófico.

    Na era do papa João Paulo II muitos padres católicos tomaram a iniciativa de estudar o Espiritismo. De forma ainda velada, é verdade. Mas já está se tornando lugar comum o estudo do Espiritismo no meio católico. Um dos fatores que muito ajudou na quebra deste paradigma foi a visão inovadora do falecido papa católico. Vimos, por exemplo, o papa João Paulo II, dizer de forma clara e inequívoca sobre a importância da pesquisa e do estudo: “Vejo a filosofia como o caminho para conhecer verdades fundamentais sobre a existência do homem, indispensável para aprofundar a inteligência da fé. Meu pensamento vai para as terras do oriente, ricas de tradições religiosas e filosóficas muito antigas, em particular Índia, China, Japão e outros países da Ásia e da África.” Neste comentário percebe-se como o sábio papa diplomaticamente propôs aos católicos a pesquisarem os costumes de áreas geográficas do mundo onde a reencarnação é aceita. Foi apenas um acaso?

    Quando, com muita sabedora e profunda humildade, o então líder dos católicos incitou-os a conhecerem outras faces da verdade, sinto-me a vontade para dizer que um dia o Espiritismo, nas suas faces filosófica e científica, será estudado pelas religiões que queiram dar um embasamento forte aos seus princípios.

    A seguir algumas informações que são transcrições de fatos e não de suposições:

    Você sabia que um dos melhores livros sobre o assunto reencarnação foi escrito por um católico: A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, Editora Martin Claret, José Reis Chaves. Vale a pena lê-lo.

    Você sabia que, dentre tantas, duas grandes autoridades espiritualistas do mundo moderno, Dalai Lama e o médico indiano Deepak Chopra, são adeptos da tese reencarnacionista? (Veja o livro Como Conhecer Deus, Editora Rocco, Deepak Chopra).

    Você sabia que a tese reencarnacionista tem o respaldo de sábios antigos e da ciência dos nossos tempos? Alguns deles: Pitágoras, Buda, Sócrates, Platão, Orígenes, Santo Agostinho, Ramakrishma, Giordano Bruno, Maomé, Gandhi, Alfred Russel Wallace, Espinosa, Flamarion, Kardec, Brian Weis, Chico Xavier.

    Você sabia que até o ano de 553 a tese reencarnacionista era plenamente aceita por todos os cristãos?

    Você sabia que o motivo da tese reencarnacionista ter sido banida no polêmico Concílio de Constantinopla II (ano 553) deveu-se ao fato de o Papa ter imaginado que poderia usar melhor da sua autoridade se a crença de uma única existência imperasse? Como poderiam considerarem-no infalível, se ele ainda teria pela frente novas reencarnações para aperfeiçoar-se?

    Você sabia que pesquisa da extinta TV Manchete concluiu que a maioria dos católicos crê na reencarnação?

    Você sabia que nos Estados Unidos – um país de protestantes – 60% dos seus habitantes crêem na reencarnação? Certa vez um líder protestante confidenciou a um amigo meu “Estou vendo que vou ter que estudar o Espiritismo”. Meu amigo disse “Então fale isto aos fiéis de sua igreja!”. A resposta rápida foi “Deus me livre! Até agora disse que Espiritismo era coisa de demônio!”. Ainda nem tanto como os católicos, mas os protestantes também estão começando a estudar o Espiritismo.

    Você sabia que em uma das mais importantes cidades do Estado de São Paulo há um grupo de católicos carismáticos estudando o Livro dos Médiuns (livro espírita que explica os mecanismos da mediunidade) e, pasme, com concordância (velada) do padre que os dirige?

    Você sabia que, segundo pesquisa do Jornal Folha de São Paulo, o Espiritismo, ao contrário do que muitos imaginam, é dentre todas as religiões a que tem praticantes com melhor nível cultural? Caro leitor, não veja nessa informação sinal de prepotência de minha parte. Veja-a apenas como uma confirmação de que pessoas que estudam e tem o hábito da leitura passam a compreender que o Espiritismo não é o que a maioria dos brasileiros imagina.

    Caro(a) leitor(a) não-espírita, se tiver interesse em conhecer o Espiritismo, sugiro começar pelo O Livro dos Espíritos, que é um livro de perguntas e respostas, e o Evangelho Segundo o Espiritismo, ambos de Allan Kardec. Se optar por estas leituras, não deixe de ler a Introdução dos mesmos. Mas você não precisará deixar a sua religião, se ela estiver lhe satisfazendo.

  • O conflito militar ocorrido entre 1864-1870, que envolveu a tríplice aliança entre o Brasil, Argentina e Uruguai contra o caudilho Solano Lopez do Paraguai, foi a guerra mais sangrenta ocorrida na América do Sul. Entre os aliados mais de 80.000 soldados e civis perderam a vida, e do lado paraguaio, estima-se em 300.000 fatalidades. Mas a maior causa das mortes foram a fome e as enfermidades ocasionadas pelo clima insalubre e inóspito da região de conflito.

    Para o Brasil, que perdeu o maior número de cidadãos, o custo deste conflito bélico arrasou a nossa economia por vários anos e o Paraguai, que teve talvez quase 40% de sua população dizimada, amargou por décadas uma recuperação extremamente difícil. Como em todas as guerras, as perdas foram enormes para todas as nações envolvidas. Não existiu nenhuma intervenção das nações mais desenvolvidas neste conflito, exceto como mediadores para que a paz fosse negociada de uma forma justa

    Os historiadores divergem em suas interpretações, o que é compreensível devido à dificuldade em serem obtidos a comprovação das informações divulgadas. Em obra mediúnica (Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho), do autor Humberto de Campos através do médium Chico Xavier, é feito um breve relato da visão espiritual deste evento. Na verdade, o déspota Solano Lopez não era diferente da maioria dos caudilhos de sua época. A sua ação contra o Brasil e a Argentina foi motivada não só pela sua ambição, mas o desejo de negociar fronteiras (em litígio) e a navegação do Rio da Prata em condições mais favoráveis, pois não confiava em seus vizinhos, Brasil e Argentina

    Já tinha um acordo com um dos caudilhos do Uruguai e preparou-se melhor para a guerra que os demais países daquela região (seu exército superava em três vezes as forças aliadas no início do conflito).

    No passado já haviam ocorridos várias guerras naquela região, inclusive com o envolvimento de D. Pedro I. Mesmo a Argentina não estava totalmente unida, com regiões administradas por governos independentes. A desconfiança de nossos vizinhos com relação ao império brasileiro que já era grande, se potencializou com a intervenção militar do império do Brasil na Argentina e depois no Uruguai, depondo o caudilho aliado de Solano Lopez, sendo isto o estopim que deflagrou este conflito.

    Com certeza teria sido muito difícil D. Pedro II evitar a guerra contra o Paraguai, não invadindo o Uruguai devido as convulsões políticas naquela região.  Existia grande pressão do R. G. do Sul, em favor da guerra e anos antes já havia deflagrado a revolta de farroupilha, custando muitas vidas e valores expressivos para o império. A região colonizada pela Espanha se fragmentara em vários países e existia um risco do mesmo ocorrer em nosso território. Para complicar, mais de 20% da população no Uruguai eram de brasileiros (principalmente gaúchos), que já estavam envolvidos no conflito armado que dividia aquele país em dois grupos antagônicos.

    Mas é importante também considerar a forma de analisar as situações conflitantes segundo a ótica da época. Mesmo D. Pedro II, embora escolhido e preparado para esta tarefa designada por Jesus, tinha como principal referência na sua forma de analisar as situações conflitantes, os valores e a cultura europeia, sem atinar tão bem para as questões locais. E, na região sul do continente os países hoje existentes, estavam na época ainda em formação (Argentina, Uruguai, Paraguai), com questões limítrofes nas fronteiras não resolvidas. 

    O envolvimento do império do Brasil, durante o primeiro reinado, na guerra que antecedeu o conflito bélico com o Paraguai, guardava reminiscências expansionistas da influência portuguesa. Entretanto, não constava nos planos do mundo espiritual incorporar ao império brasileiro as regiões existentes, além da marcação de nossas fronteiras como se encontra nos dias de hoje. Estas primeiras guerras foram infrutíferas e com certeza tiveram uma influência negativa na sequência de eventos que levaram a preocupação de nossos vizinhos com as pretensões territoriais e o belicismo do império brasileiro.

    Interessante que antes de reencarnar, D. Pedro II conversou com Jesus sobre a tarefa a ser realizada. Nosso imperador já era uma alma de escol, que embora tivesse sido em existência pretérita um centurião romano (Longinus), presente na crucificação do Messias, recebeu do Mestre Nazareno uma tarefa que apenas almas realmente edificadas no bem poderiam empreender (D. Pedro II havia se preparado durante vários séculos em reencarnações que lhe conferiram a moral e intelectualidade necessárias para a tarefa). 

    Entre as tarefas principais, que Jesus lhe solicitou estavam a de proporcionar o crescimento estável do Brasil, libertar os escravos e manter a prudência e a fraternidade com as nações vizinhas, sem conflitos bélicos. Realmente D. Pedro II foi o melhor governante que o Brasil teve em toda a sua história (58 anos de reinado). Mas poderia ter assimilado melhor a advertência de Jesus e evitado a guerra, ou pelo menos ter amenizado os seus efeitos buscando negociar a paz com Solano Lopez. Sessenta mil brasileiros perderam a vida, e a nossa economia ficou arrasada por várias décadas com os custos deste conflito bélico.

    Em mensagem de Bezerra de Menezes através do médium Divaldo P. Franco,  é citado que o Carma da nação brasileira só foi quitado com a construção de represa de Itapu, resgatando assim o nosso débito pela destruição que causamos à aquela nação. O Brasil é um país pacífico, sem interesse em conquistas e sem litígios sérios com os nossos vizinhos. Felizmente o nosso país resgatou o seu único débito coletivo em termos de nação, preparando-se melhor para os adventos do terceiro milênio. Como todas as grandes nações do passado, o Brasil também terá de seu momento de maior glória, mas não através da expansão bélica ou econômica, mas através da divulgação do Cristianismo redivivo, a Doutrina Espírita.

     

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     As realizações humanas ao longo da história têm sido fruto de ideias aliadas ao esforço de pô-las em prática. Na execução de qualquer empreendimento humano, dos mais singelos aos mais grandiosos, a qualquer ideia criativa e inovadora sempre se seguiu paciente e perseverante esforço de concretização, até que os resultados alcançassem os objetivos almejados.

     Embora os idealistas sejam os pioneiros, os iniciadores das transformações sociais e das mudanças para melhor no panorama das comunidades, é através das ações, às vezes empreendidas por outras pessoas, que se consolidam as novas realidades.

     Parece-nos importante refletirmos sobre a qualidade do nosso agir, assim como a melhor forma de contribuirmos para as realizações coletivas. Uma ação correta logicamente provém de uma ideia acertada, baseada em princípios e valores igualmente corretos. Daí a importância da qualidade dos pensamentos – origem de toda ação. Recorrendo a uma referência evangélica, Jesus afirmou que se conhece a árvore pelos seus frutos, evidenciando que os efeitos revelam a causa, os resultados das ações evidenciam sua procedência. Mais do que exaltar a beleza das flores, o Mestre enfatizou a utilidade dos frutos, ou seja, das obras de cada um. 

     A teoria sem prática é inútil, e a ideia sem ação é estéril. Como diz o apóstolo Tiago na Bíblia: “a fé sem obras está morta”. A teoria é somente uma elaboração mental. A inspiração sem a subsequente transpiração – a ideia sem esforço – nada realiza no plano material em que nos encontramos encarnados. É claro que as boas ações precisam partir de inspiração, de concepções elevadas, mas as ideias precisam ser postas em prática, caso contrário a força criativa se dissipa e a chance é perdida. Segundo esse princípio, pode-se dizer que a oportunidade de praticar o bem não aproveitada é como uma semente não plantada ou um fruto maduro não colhido.

     Se agir sem pensar é perigoso, pensar sem agir pode ser um desperdício de tempo, recursos e energia. Em certas situações é preciso um longo e cuidadoso planejamento antes de empreender a sua execução. Em outras circunstâncias a ação imediata é necessária e mesmo essencial, quando não se pode perder tempo com teorias ou discussões inúteis. A sinceridade de propósitos aliada à boa vontade traz uma prontidão que torna o ser apto a agir corretamente sempre que necessário, evitando as tão comuns desculpas que usamos para justificar nossa omissão e indiferença diante das necessidades alheias.

     De acordo com as leis da vida que regem o destino, ensinadas pelas religiões e filosofias espiritualistas, e especialmente explicadas pela Doutrina Espírita, respondemos não apenas pelo mal que fazemos, mas também pelo bem que não realizamos, ou seja, pela omissão. Erramos ao fazermos o que não deveríamos fazer, mas também ao não realizarmos o que deveríamos realizar, sempre segundo nossas possibilidades.

     Com relação aos ensinamentos espirituais e religiosos, é sempre fácil aceitar seus princípios e reconhecer seu valor, no entanto parece ser difícil praticá-los no convívio diário, onde frequentemente manifestamos nossos aspectos ainda obscuros e imperfeitos. A compreensão e aceitação de determinado princípio, para que seja incorporado à existência, precisa obrigatoriamente passar pela prática e vivência dos seus postulados. Ninguém possui qualquer virtude se não a pratica nem a experimenta no cotidiano. Ninguém que haja sido considerado santo ou herói se tornou criatura sublimada sem que agisse incansavelmente em harmonia com os princípios em que acreditava. Crer e agir, conceber e realizar, teoria e prática constituem o inseparável binômio da vida. Portanto, para que as realizações humanas sejam verdadeiramente construtivas é fundamental que se baseiem em princípios e valores elevados e corretos, mas é indispensável que estes sejam confirmados e validados pela paciência, perseverança e disciplina nas ações de cada dia.

  • Em relatório recente, o Banco Mundial informou que o futuro 52% dos jovens brasileiros está em risco, devido à baixa escolaridade. O documento inclui entre os 25 milhões de indivíduos em risco de ficarem fora do circuito de bons empregos os 11 milhões de “nem-nem”, aqueles que nem trabalham nem estudam; os que frequentam a escola, mas com atraso na formação, e os que trabalham na informalidade. Isto afeta seriamente a nossa nação, pois em grade parte serão os indivíduos responsáveis pelo destino do Brasil.


    Entretanto, embora este cenário seja negativo, e sugere que não poupemos esforços para reverte-lo, temos de considerar que ainda somos um país em fase de construção de uma identidade moral. Comparando com outras nações mais desenvolvidas, como as do continente europeu, realmente estamos muito mal no aspecto da honestidade. A corrupção atinge todas as camadas sociais, fazendo parte da cultura de muitos brasileiros. O “jeitinho”, a forma de querer tirar vantagem a qualquer custo, etc. Os políticos desonestos, tão criticados pela sociedade, nada mais são que representantes do próprio povo.


    Mas, se observarmos outras características, como o orgulho, a arrogância e o egoísmo, os brasileiros estão em grande vantagem, quando comparados com estas nações economicamente mais ricas. Basta ver a própria história, como as guerras ocorreram no continente europeu, algumas com longa duração (ex.: guerra dos 100 anos). Foram os países europeus os principais protagonistas das duas grandes guerras mundiais, que ceifaram a vida de mais de 200 milhões de pessoas e causou terríveis destruições das cidades. Estas imperfeiçoes morais, no nível que existe na maioria dois países ditos do “primeiro mundo”, foram em grande parte superada pelos brasileiros, onde a fraternidade, espontaneidade na aceitação de estrangeiros é marcante.


    Na opinião de Emmanuel (Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho – Chico Xavier & Humberto de Campos), o futuro de nossa nação é bastante positivo: “... se a Grécia e a Roma da Antiguidade tiveram a sua hora, como elementos primordiais das origens de toda a civilização do Ocidente; se o império português e o espanhol, e a Inglaterra têm tido a sua hora proeminente nos tempos que assinalam as etapas evolutivas do mundo, o Brasil terá também o seu grande momento, no relógio que marca os dias da evolução da Humanidade”. Mas o conceito de tempo, para que estes fatos positivos aconteçam não estão relacionados com dias ou semanas. Vai depender da evolução moral do povo brasileiro. Enquanto não for sanado a corrupção em nossa sociedade, pelo menos em níveis compatíveis para uma convivência séria, honesta, dentro da ética que deve pautar o relacionamento entre os homens, estaremos atrasando momentos mais felizes que aguardam a nossa nação.
    O livre arbítrio que Deus nos concedeu, nos permite sermos honestos ou não. Mas esta concessão esta atrelada à lei de “ação e reação”. Estamos então sujeitos a colher o que plantarmos. As lideranças políticas desonestas que tanto mal tem causado a nossa pátria, foram democraticamente eleitos pelo povo. As más escolhas, quando ocorreram, foram de nossa inteira responsabilidade. Apostando nas limitações morais da sociedade, existiu inclusive um bordão na propaganda política na década de 50 do século passado, intitulada “rouba, mas faz” (Adhemar de Barros, 1901-1969). E mesmo nos dias atuais, a compra de votos ainda persiste.
    A consequência dos equívocos que praticamos, de forma individual e coletiva, tem provocado muito sofrimento ao povo brasileiro.

    Mais de 25 milhões de desempregados ou subempregados, sistema de saúde precário e a violência urbana atingindo níveis assustadores. Tudo isto associado a precariedade do sistema educacional, e baixo crescimento econômico da nação brasileira. Este panorama gradativamente tem melhorado, mas o caminho doloroso que foi escolhido pelos brasileiros, poderia ter sido amenizado através da reforma moral, aderindo voluntariamente a uma postura cristã, dentro da ética e da honestidade. Podemos nos transformar moralmente pelo amor ou pela dor, e enquanto parte expressiva da população for refratária a uma mudança moral, o “tempo” que marca os dias para um futuro melhor de nossa sociedade será prolongado.


    Através da psicofonia (16/11/2005), o médium Divaldo Franco transmitiu a mensagem do espírito de Deodoro da Fonseca sobre o Brasil: “... Abençoada pela fulgurante luz das estrelas do Cruzeiro do Sul, estás programada pelo Senhor da Vida para que sejas, em futuro não distante, o centro de irradiação do Evangelho restaurado”. Que possamos manter o otimismo com relação ao futuro do Brasil, na plena certeza de que com confiança em Deus e em nós mesmos construiremos todos juntos uma sociedade mais fraterna e feliz.

  • Diante da crescente crise contemporânea, que se mostra cada vez mais desafiadora, aumenta  a necessidade de referências éticas e morais para a conduta humana, não mais pautadas em imposições arbitrárias nem em conceitos arcaicos e dogmáticos, mas no despertar da consciência e da consequente responsabilidade pela construção de um mundo melhor para todos.

    Com relação aos jovens nunca houve, como na atualidade, tanta necessidade de oferecer-lhes roteiro seguro para uma existência digna, livrando-os a tempo das perigosas armadilhas que tentam capturá-los a todo custo, com as ilusões que lhes são impostas sob os disfarces e as máscaras da hipocrisia e de interesses obscuros.

    Para os jovens, o enfrentamento dos desafios existenciais se mostra com significados peculiares, pois os adolescentes vivem uma natural crise de transição, requerendo especial atenção às suas necessidades e à educação dos impulsos que se lhes irrompem.

    Recém-saídos da infância e ainda imaturos para as responsabilidades da vida adulta, anseiam por descobrir e trilhar novos caminhos, enfrentar problemas que os motivem no desenvolvimento de aptidões latentes, emancipar-se emocional e economicamente, estabelecer vínculos afetivos e sociais que os estimulem psiquicamente,...

    Para que esse processo de transição e amadurecimento seja harmônico e seguro, é fundamental que os jovens cultivem um caminho espiritual, que aprendam e vivenciem valores e princípios elevados, e que convivam em ambiente saudável, favorável a uma adequada participação social.

    Diante de tamanho desafio o Espiritismo mostra-se portador de excelente recursos iluminativos, dentre os quais a mocidade espírita, que é o setor específico da instituição voltado para os jovens, atendendo às suas necessidades e aspirações espirituais.

    A impulsividade natural da mocidade pode e deve ser educada, sendo assim canalizada para finalidades nobres e evolutivas. Os jovens que recebem orientação espiritual têm preciosa oportunidade de trilhar, desde a mocidade, o rumo de realizações para uma vida significativa e feliz.

    A inquietação, a insegurança, os questionamentos e o senso de rebeldia, próprios dessa fase da vida, podem ser bem solucionados, permitindo aos jovens realizações construtivas e renovadoras, desde que adequada e amorosamente orientados pelos irmãos mais experientes que os apoiam, segundo as diretrizes evangélicas.

    Os jovens desempenham papel fundamental no movimento espírita, pois estão se preparando para serem os futuros dirigentes, servidores e colaboradores, dentro e fora da instituição.

    Tudo o que os jovens possam aprender e vivenciar nas atividades espíritas é de grande relevância, pois aprimora-lhes o caráter, traz-lhes informações úteis à vivência dos postulados evangélicos e permite que transitem no mundo com maior seguraça, alegria e paz.

    Muitas atividades interessantes e motivadoras podem ser realizadas pelo movimento jovem, como estudos, cursos, debates, apresentações artísticas e culturais, ações sociais, trabalhos voluntários e participação nas diversas atividades doutrinárias desenvolvidas na casa espírita, bem como na comunidade a que pertence.

    As moças e os moços, com o frescor de suas ideias e ideais, quando bem orientados revitalizam a seara espírita, trazendo esperança de dias melhores para a sociedade e para o mundo.

    As ações espíritas juvenis, para atenderem às necessidades peculiares dessa fase da vida, precisam ser especialmente atrativas e interessantes. A participação direta da mocidade no planejamento e na elaboração das atividades pode contribuir muito para a motivação e melhor integração de todos.

    Diante da situação crítica pela qual vem passando a juventude atual – reflexo da crise de transição planetária – torna-se urgente a possibilidade da convivência saudável na instituição espírita, oferecendo espaço e acolhimento aos jovens para que experimentem atividades gratificantes, no exercício da criatividade e fraternidade em clima de harmonia e paz, facilitando o desabrochar das virtudes e valores morais de cada um para o bem comum.

    A Doutrina Espírita oferece valiosos recursos para a orientação dos jovens, os quais, reunidos e unidos em torno de um ideal comum, podem realizar-se nas tarefas grupais, desenvolvendo o senso de responsabilidade e participação comunitária, fundamentais para a edificação da sociedade saudável da Nova Era que se aproxima.

    O centro espírita torna-se o espaço de convivência, de troca afetiva, de aprendizado de valores e princípios éticos, bem como de realizações práticas, no exercício da cidadania consciente que continuará por toda a existência física, e além...

    Graças à contribuição do Espiritismo na melhoria dos seres humanos em todas as fases da existência, a mocidade converte-se em expressão viva da nova humanidade, pela participação ativa na edificação de dias melhores e mais felizes para todos os seres.    

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