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Fé Raciocinada


Fé é uma convicção firme e inabalável de que algo é verdadeiro, mesmo sem nenhuma prova ou confirmação. É a absoluta confiança numa idéia, mesmo que evidências apontem o oposto. Para um indivíduo imbuído de uma fé cega, não é necessária a compreensão do objeto de fé, mas tão somente a aceitação sem indagações ou dúvidas.

A fé é essencial para o homem, ela nos oferece consolação, coragem e resignação nos momentos difíceis da vida, porém se esta fé é puramente emocional e não resiste a qualquer questionamento mais racional, como poderemos viver em paz e segurança?

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, dá a paciência que sabe esperar, porque, apoiando-se na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de atingir o objetivo. A fé vacilante sente sua própria fraqueza; quando é estimulada pelo interesse, torna-se enfurecida e acredita que, aliando-se à violência, obterá a força que não tem. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, é uma prova de fraqueza e dúvida de si mesmo. [1]

Por outro lado, a razão geralmente baseia-se na observação, na dúvida, no debate e na compreensão de uma ideia. Uma das principais características da Doutrina Espírita é sua base essencialmente filosófica e racional.

Historicamente, as religiões sempre lutaram para impor a seus seguidores uma fé ingênua e ignorante baseada em dogmas que quase sempre se opunham às descobertas da ciência. A exemplo do grande físico, matemático e astrônomo Galileu Galilei, que foi obrigado a renegar os seus conhecimentos científicos diante dos tribunais para evitar a pena capital.

Ao longo dos séculos, esta mesma fé cega tem alimentado o fanatismo e a intolerância religiosa, levando os homens a cometer crimes brutais, tirando a vida de seus irmãos em nome de Deus.

O poder exercido pela religião ao longo de muitos séculos foi um entrave ao desenvolvimento da ciência e dos avanços tecnológicos. Não fosse a evolução científica diante de descobertas baseadas em análises racionais, possivelmente ainda viveríamos nas trevas da ignorância.

O Espiritismo não acredita no conflito entre a fé e a ciência, ao contrário, alia-se a esta,  proclamando uma fé raciocinada, baseada no estudo e na compreensão das ideias, de acordo com as descobertas científicas de sua época.

A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material e a outra, as leis do mundo moral. Ambas as leis, tendo no entanto o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se, visto que, se uma contrariar a outra, uma terá necessariamente razão enquanto a outra não a terá, já que Deus não destruiria sua própria obra. A falta de harmonia e coerência que se acreditou existir entre essas duas ordens de idéias baseia-se num erro de observação e nos princípios exclusivistas de uma e de outra parte. Daí resultou uma luta e uma colisão de idéias que deram origem à incredulidade e à intolerância. [2]

[1] Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 19, item 3.
[2] Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 1, item 8.