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Pedro de Camargo (Vinícius)


“Vinicius não é discutidor. Não sente gosto pela polêmica, talvez porque esta palavra, do grego ‘polemos’, quer dizer ‘guerra’.”

Quem assina a frase é Romeu A. Camargo, autor do prefácio da segunda edição do livro de Vinícius, Em torno do Mestre.

Natural de nossa cidade, Piracicaba, a personalidade marcante do educador doutrinário conhecido pelo pseudônimo de Vinícius, foi forjada tempranamente pela missionária Martha H. Watts, diretora do Colégio Piracicabano, de orientação metodista e, mais tarde, ele mesmo diria que não saberia "seguir outra disciplina que não fosse a do dever, e ouvir outra voz que não a da razão e da consciência".

Os estudos bíblicos o interessavam sobremaneira, o que o converteu numa autoridade na interpretação evangélica.

Interessado pelo Espiritismo, onde encontrou respostas para suas incógnitas, levou à vida prática a teoria evangélica e desenvolveu profícuo e intenso trabalho de divulgação da Doutrina Espírita, com o pseudônimo de Vinícius. Entre suas obras, se destacam "Em torno do Mestre", "Na Seara do Mestre", "Nas Pegadas do Mestre", "Na Escola do Mestre, "O Mestre na Educação" e "Em Busca do Mestre".

Acerca do ser humano, ele disse assim:
"O HOMEM pensa que o homem é uma obra perfeita. E nem pode deixar de sê-lo, uma vez que foi criado à imagem e semelhança de Deus. Da onisciência aliada à onipotência, não virão obras falhas e defeituosas. Cumpre, porém, notar que as obras de Deus são vivas. Ora, onde há vida, há movimento e crescimento.

A excelsa sentença da Gênesis: "crescei e multiplicai-vos", encerra o segredo da vida, uma vez que não nos atenhamos apenas ao sentido literal daquelas palavras. Crescer e multiplicar não se refere somente ao número ou à quantidade, mas também, e particularmente, à qualidade. Naquele simbólico "sopro" que Deus infundiu à argila, encontra-se o dinamismo vital que vem da eternidade e marcha para o infinito.

"Para a frente e para o alto", eis a legenda gravada em cada átomo do Universo. Os defeitos e prejuízos humanos atestam, portanto, não a imperfeição da obra, mas, apenas, o estado atual de acabamento em que a mesma se encontra.

O homem não é uma estátua modelada e acabada pelo buril do estatuário. O homem é obra viva, inteligente e consciente de si própria. A estátua nada sabe de si mesma: sua forma, seus contornos, suas linhas e suas expressões são fixas, imóveis, inertes.

O Supremo Artista não age assim. Infunde vida às suas obras; e estas, uma vez vivificadas, se agitam, crescem, sobem e transcendem, aperfeiçoando-se e aprimorando-se sempre.

O homem mesmo há de colaborar com Deus na obra de seu crescimento e de sua evolução. Daí o mérito e o demérito de cada um. De outra sorte, o homem não teria consciência do seu valor, nem estaria aparelhado para realizar o ideal de felicidade que constitui o supremo- alvo da vida.

À medida que ele se vai aperfeiçoando, melhor irá refletindo a divina imagem a cuja semelhança foi criado. Só em Jesus, o sublime, o caráter adamantino, o paradigma da perfeição, podemos ver a imagem de Deus refletir-se em sua pureza e excelsitude.

Por isso, ele pode dizer com autoridade: quem me vê a mim, vê ao Pai...”