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Por André de Paiva Salum em 01/03/2016

A busca de satisfação e alegria faz parte da aspiração pelo bem viver, e todas as pessoas procuram satisfazer suas necessidades, normalmente evitando o que lhes possa causar dor ou sofrimento. Ocorre que os critérios do que seja satisfatório variam enormemente, dependendo do nível evolutivo de cada ser.

Peregrino da evolução, o ser humano caminha do primitivismo em que estagiou por largo período para a plenitude a que está destinado. Para conquistar essa herança divina, é imprescindível romper as densas camadas de egoísmo remanescente e abrir-se à fraternidade universal. Após incontáveis experiências e aprendizados através das reencarnações, a consciência gradualmente passa a sentir impulsos cada vez mais elevados, não mais de receber e ganhar, mas de doar, servir e cooperar.

A transição do egoísmo para o altruísmo, da avareza para a generosidade, do apego para o desprendimento, marca o ingresso do ser humano em novo patamar existencial, em que mais elevados valores e princípios passam a orientar-lhe a vida.

Vivemos em transição da ignorância para a sabedoria, das sombras para a Luz, e, nesse processo, nos esforçamos pelo gradual despojamento da tirania do ego até que conquistemos a supremacia do Self, do eu divino.

Desde quando sente os primeiros lampejos de alegria interior pela prática do bem, a criatura passa a cultivá-la e ampliá-la, até que se torne contínua e natural manifestação da realidade interior. Nessa transformação, o serviço exercitado com boa vontade incorpora-se à natureza humana até tornar-se espontâneo.

As escolas espiritualistas ressaltam a importância do serviço como instrumento de autoaprimoramento, bem como de manifestação e desenvolvimento das faculdades superiores da alma. No serviço altruísta descobre-se gradativamente uma fonte inesgotável de satisfação e alegria, com possibilidades sempre novas de ação iluminativa. Daí a relevância da prática da caridade nos ensinamentos espíritas, colocando-a como fator essencial à libertação espiritual, conforme a máxima de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”.

A magia do serviço voluntário é que ele se torna ao mesmo tempo ferramenta de elevação e fonte de alegria interior. Quem serve com boa vontade experimenta estados interiores de bem-estar que nenhuma situação exterior consegue igualar.

Quando a natureza inferior presente em todos nós tenta permanecer no domínio da existência, pelos desejos e exigências intermináveis que lhes são característicos, podemos, como atitude libertadora, ocupar a mente, o coração e as mãos no serviço ao bem, e perceber a sutil voz da consciência aprovando e incentivando o empenho de autossuperação, bem como sentir a satisfação interna decorrente da sua prática.

O ser egoísta evita tudo o que lhe pareça desagradável e busca o que lhe seja prazeroso, segundo os critérios limitados da personalidade. O ser desperto para as realidades transcendentes da vida evita tudo o que signifique desequilíbrio ou desarmonia e procura estar em paz com a própria consciência pela prática incansável do bem, do serviço ao próximo e do que se fizer necessário, em qualquer circunstância, de acordo com os ditames do espírito.

Os seres de consciência mais evoluída são invariavelmente generosos, doadores e servidores. Sentem imensa alegria e satisfação em cooperar nas tarefas de que fazem parte, nas ações enobrecedoras em que estão engajados, por isso nenhuma norma externa é necessária para que se disponham a auxiliar e servir. O indivíduo que despertou espiritualmente sente-se bem em praticar o bem, e se sentiria mal caso não o fizesse. Portanto, não é preciso que se lhe imponha a caridade, pois esta lhe brota da alma e se manifesta espontaneamente como fruto sazonado do espírito consciente do amor universal.

Quando se aprofunda no autoconhecimento para a autotransformação, a pessoa desperta valores adormecidos na alma, os quais se expressam, naturalmente, na forma de serviço. A comunhão interna com a Fonte Divina transborda na ação externa em benefício de todos.

Além da cooperação ostensiva, pode-se servir de inúmeras formas, nem sempre evidentes ou explícitas, como a prece, a meditação, o silêncio caridoso, o auxílio anônimo, o trabalho interior do perdão, a irradiação da paz...

Do ponto de vista espiritual, a identidade de alguém se revela, entre outras coisas, pela sua capacidade de servir e pela prontidão em colaborar nas ações que visam ao bem comum.

Oferecer-se espontaneamente para servir, nas mais diversas situações da vida comum, nos círculos domésticos ou de trabalho, na via pública ou na convivência social, é caminho seguro para o desenvolvimento das aptidões mais elevadas do espírito, fontes de realização interior. Desse modo, o prazer de servir revela e reforça, em grande parte, a alegria de viver.