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Por André de Paiva Salum em 26/01/2016

A lei de reprodução regula a perpetuação das espécies no mundo material, e nos reinos inferiores funciona de modo automático, controlando a população de todos os seres. Nos humanos, além do instinto, apresentam-se outros aspectos, mais sutis, reflexos das conquistas evolutivas. Desenvolvimento moral, sensibilidade emocional, razão e ideais superiores transformam o instinto sexual e o sublimam, à medida que o espírito evolve ao longo das numerosas experiências reencarnatórias.

A propósito, em O Livro dos Espíritos, na 3ª Parte, o capítulo IV – Da Lei de Reprodução, trata especificamente do assunto, respondendo às diversas questões formuladas por Kardec aos espíritos superiores. Dando sequência à codificação e aprofundando seu conteúdo, a literatura espírita conta com obras adicionais de grande auxílio à compreensão do tema, como Vida e Sexo (Emmanuel/Chico Xavier), Sexo e Destino (André Luiz/Chico Xavier), Sexo e Obsessão (Manoel P. de Miranda/Divaldo Franco), Forças Sexuais da Alma (Jorge Andréa), dentre outras.

Nos relacionamentos humanos, quando há energias de natureza sexual na forma de atração, isso pode ser reflexo de experiências do passado ou simplesmente uma afinidade atual, expressão de forças instintivas presentes em todas as pessoas. De qualquer modo, a aproximação entre seres que criaram vínculos de natureza sexual no passado próximo ou remoto, ou que têm esse tipo de sintonia no presente, é oportunidade evolutiva para que tal atração, desde que se tenha a consciência espiritual desperta, se expresse da forma mais pura possível, até atingir, um dia, as culminâncias do amor incondicional. Sempre que a lucidez e a sabedoria orientam as relações interpessoais, elas passam a ser cada vez mais espiritualizadas e harmoniosas, na expressão crescente do amor universal.

Quando a existência está focalizada nos interesses do ego ou personalidade, o sexo é utilizado para a obtenção de prazer, com relativa indiferença às responsabilidades decorrentes do uso da energia sexual. Por outro lado, quando a vida passa a ser governada pela consciência espiritual, esta reconhece a sacralidade da energia criativa, a qual é utilizada com respeito e pureza.

Na relativa inconsciência que caracteriza grande parte da humanidade atual, a reprodução frequentemente não obedece a princípios superiores com relação à conduta e à participação dos futuros pais. Muitas gestações decorrem de relações sexuais inconsequentes, casuais, sem que se baseiem em compromisso profundo entre almas responsáveis pelos frutos da comunhão física. Nesse sentido há
também as gravidezes oriundas de todo tipo de violência, bem como aquelas em que os parceiros se encontram sob o efeito de drogas, inclusive do álcool, com riscos potenciais à saúde física, emocional e mental do ser reencarnante.

Caso se dê a concepção, independentemente das condições em que haja ocorrido, deve-se assumir integralmente todos os cuidados com a gestação e com a integridade física e psíquica da futura criança, a qual, desde a fecundação, merece todo o respeito e tem pleno direito ao nascimento, segundo as divinas leis. Em última análise, sabemos que cada um nasce e vive nas condições que elegeu
pelo próprio nível de consciência e pelo seu carma individual.

Na nova era da humanidade, com a Terra regenerada após a atual transição planetária, a procriação deve ter, dentre outros significados, o de serviço ofertado amorosamente para que seres desencarnados possam ingressar no mundo material nas melhores condições possíveis. Com essa consciência, o ato reprodutivo não deve obedecer apenas a impulsos biológicos e instintivos, mas ser essencialmente orientado pela consciência lúcida que queira permitir a encarnação de espíritos na condição de filhos, oferecendo um clima energético e afetivo equilibrado, amoroso e acolhedor.

Para quem tem a necessária clareza quanto à importância da procriação, desde já se aplicam os princípios superiores que regem a reencarnação. Para isso é necessário todo um preparo prévio dos parceiros, não só com relação à saúde física, mas principalmente aos aspectos psíquico e espiritual. O casal que se abre à possibilidade de gerar um filho pode se preparar adequadamente pela educação dos impulsos, harmonização das emoções, aprimoramento do caráter e conscientização da bênção que é prover um novo corpo físico a quem espera pela possibilidade de reencarnar. Quem assim procede passa a não somente gerar novos corpos, mas a
participar mais ativamente como colaborador dos mentores na reencarnação dos futuros filhos. Assim, há muito mais elementos envolvidos na reprodução do que a relação sexual, que passa a ser parte de um processo em múltiplos níveis: físico, emocional, mental e espiritual. Nesse sentido, a Doutrina Espírita traz contribuição inestimável, ao oferecer às criaturas informações indispensáveis à sua transformação moral e educação integral.

Sabemos que em futuro não muito distante a concepção se dará de modo bastante diverso do que ocorre atualmente. Incluirá como itens fundamentais a conscientização espiritual dos futuros pais, seu equilíbrio e sua cura integral, favorecendo a reencarnação sadia de espíritos mais harmonizados com leis superiores da vida, colaboradores do mundo de regeneração que é o destino da Terra.

Desse modo, a educação moral proposta pelo Espiritismo é verdadeiramente enriquecedora, e o movimento espírita, através de todos os meios possíveis, oferece subsídios para que o ser humano tenha uma vida mais significativa, orientando-o quanto ao uso responsável e digno de todos os recursos que a vida lhe oferece para a sua autorrealização.