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Por André de Paiva Salum em 20/08/2014

Além do natural instinto de conservação da espécie, que mais une os casais? Paixões irresistíveis, ilusões e fantasias, gravidez inesperada, anseio de ventura a dois, anelo pela maternidade e paternidade, amor sincero...

Há muitos padrões de união afetiva e os relacionamentos são complexos; diversos são os fatos motivadores das relações e o tema merece reflexão profunda.

Dependendo do nível evolutivo dos seres que se relacionam, as uniões – sejam formais ou não – variam quanto à sua natureza. Espíritos imediatistas e ainda restritos aos interesses materiais, comprometidos em relação às leis divinas, são constrangidos a reencarnar e posteriormente se relacionar em cumprimento quase automático das leis cármicas e evolutivas. Por outro lado, os seres de consciência desperta e conhecedores das leis do destino podem programar a própria reencarnação, inclusive os relacionamentos principais que terão durante o mergulho na matéria. Quanto mais evoluídos e harmonizados com as divinas leis, maior é a contribuição individual no mecanismo reencarnatório e na programação dos futuros vínculos afetivos.

Com relação à Terra e seus habitantes, podemos citar, apenas para fins didáticos, certos tipos de relacionamento nos quais predomina algum dos fatores que unem os casais.

  • EXPIAÇÃO – esse é o tipo mais frequente de união conjugal na Terra. Como vivemos num planeta que ainda se caracteriza pelas provas e expiações, é natural que a maioria dos relacionamentos conjugais tenha expressivo conteúdo expiatório. Muitas vezes é no casamento que antigos desafetos se reencontram para a tentativa de reconciliação pela convivência no lar. Por isso a vigilância, a paciência e o perdão tornam-se fundamentais para que se obtenha êxito na experiência a dois.  A atração sexual, geralmente intensa no início, funciona como estímulo para que haja a aproximação e o encontro entre as duas pessoas. As próprias dívidas cármicas recíprocas ainda não saldadas funcionam como ímã de atração entre os seres, para que se harmonizem perante a Lei.
  • PROVAÇÃO – muitas vezes os espíritos necessitam exercitar virtudes que ainda não possuem em plenitude e, para tanto, aceitam reencarnar em parcerias que se lhes constituirão desafios. Pode-se, por exemplo, escolher alguém com características muito diversas das suas a fim de desenvolver aceitação e paciência, bem como as qualidades que são manifestas no(a) parceiro(a). Em muitos relacionamentos a longa convivência com alguém de qualidades diferentes é um estímulo à ampliação da compreensão e à ausência de julgamentos. Em diversos casos se é constrangido a superar preconceitos e condicionamentos para sustentar uma união, o que desenvolve diversas qualidades latentes na alma.
  • MISSÃO – seres espiritualmente maduros, com a consciência desperta e elevada, escolhem ou aceitam a convivência conjugal como instrumento para poderem cumprir juntos missão relevante em prol do bem comum. Nesses relacionamentos a abnegação e o altruísmo estão acima de interesses e preferências pessoais. No caso de haver procriação, esta ocorre como um serviço espiritual, permitindo a reencarnação de seres necessitados de corpos físicos, e não como fruto de desejos inferiores.
  • AFINIDADE – obviamente sempre existem afinidades para que um casal se una. Independentemente da maturidade espiritual que se possua, sempre se poderá encontrar outros seres com identidade de gostos e pendores. A afinidade pode se dar em vários níveis, dos mais inferiores aos mais elevados: a atração sexual, a sintonia emocional, a identidade de ideias e de ideais, até a sintonia espiritual, que é a mais profunda e duradoura. A atração física, embora possa ser o fator mais intenso de aproximação inicial, é o mais efêmero e menos significativo, em longo prazo, para a proposta evolutiva dos parceiros. É importante que o casal reconheça as afinidades positivas, procurando cultivá-las, bem como identifique as conexões negativas – como os vícios, por exemplo –  empenhando-se para superá-las.

Em todos os relacionamentos os tipos mencionados coexistem, variando apenas a predominância de um ou mais deles em relação aos outros. Sempre haverá certa afinidade entre os parceiros, mesmo nos casos mais difíceis de expiação. Do mesmo modo, sempre será possível realizar alguma missão em conjunto, como a paternidade e maternidade, que em si são tarefas sublimes, desde que cumpridas com consciência e permeadas de amor.

Todos os relacionamento são, em realidade, experiências evolutivas, particularmente o convívio íntimo. É natural que as almas sintam necessidade de fazer um curso de convivência a dois durante o período da encarnação. São verdadeiros testes no laboratório da vida, nos quais conteúdos diversos são vivenciados e trazidos à consciência, assimilados e transcendidos. Questões latentes do passado são atualizadas na convivência, favorecendo sua resolução, desde que os envolvidos se proponham a trabalhar-se intimamente e a se transformar para melhor.

À medida que evolui e desperta a consciência espiritual, cada ser passa a compreender as uniões afetivas em geral, e o casamento, em particular, de ponto de vista cada vez mais elevado e sob nova perspectiva. Não mais procura parcerias para preencher carências pessoais ou satisfazer desejos, mas para compartilhar experiências e trabalhos de conteúdo evolutivo, como apoio recíproco para a consecução das tarefas reencarnatórias. O mais importante para tais seres, já despertos, é cumprir com alegria – estejam casados ou solteiros – as tarefas evolutivas que lhes cabem.

Quando se diz que um relacionamento é cármico, geralmente se associa ao termo uma conotação negativa, o que não é correto. O carma pode ser positivo ou negativo. Assim, um relacionamento baseado em experiências harmônicas e felizes do passado possui um carma positivo,  que favorece a união atual, desde que no presente se cultivem e preservem valores e princípios elevados de conduta.

O fato de haver incontáveis tipos de relacionamentos demonstra a diversidade de temperamentos, personalidades e padrões de conduta humanos. Por isso jamais podemos julgar, criticar ou condenar qualquer forma que alguém escolha para se associar afetivamente. A livre escolha é um direito do ser humano e deve ser sempre respeitada.

Os relacionamentos, dinâmicos que são, apresentam fases distintas nos ciclos naturais dos fenômenos da vida. Uma relação harmoniosa pode, inesperadamente, ser abalada por fatos ou ocorrências que signifiquem a eclosão de conteúdo cármico que estava latente, aguardando a ocasião propícia para se manifestar e ser solucionado. Por outro lado, no caso de relações predominantemente expiatórias, o nascimento de um filho, por exemplo, pode significar novo alento para o casal, e motivo de alegrias e de novas esperanças.

A consciência com a qual se assume um relacionamento é mais importante que qualquer condição, condicionamento ou tendência prévia. Mesmo que haja componentes de expiação e provação, com a consciência espiritual a perspectiva da relação é modificada. Se houver, por exemplo, tendência ao conflito, alimentado por divergências do passado, a atitude sábia e amorosa do presente irá amenizar ou até mesmo anular as causas de desavenças. A firme decisão atual pela paz e harmonia é capaz de modificar a natureza de um relacionamento, e certamente altera a visão que se tem da relação e de seu significado.

Além dos fatores que tipificam os relacionamentos, o que importa é viver em obediência à Lei divina, única forma de se construir a felicidade individual, conjugal e coletiva. Somente a partir de atitudes baseadas no verdadeiro amor – essência da vida – é que se pode compartilhar algo significativo e enriquecedor para os relacionamentos humanos.

Os vínculos afetivos estão em francas transformações, adaptando-se aos novos padrões de conduta da humanidade regenerada que se está estabelecendo no planeta. Na nova era que já se inicia certamente haverá mais amizade, companheirismo e cooperação, fazendo das uniões afetivas núcleos de paz e harmonia a irradiarem luz.