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Por André de Paiva Salum em 02/12/2016

Diante dos fatos e desafios da vida o ser humano, desde os primórdios do seu desenvolvimento psíquico, tem buscado compreender os mecanismos por trás dos fenômenos existenciais e, ao longo do tempo, leis e princípios foram sendo elucidados e sistematizados, à medida que as ciências foram se desenvolvendo.

Compreender as leis naturais habilita o ser humano a trabalhar com elas, cooperando com a natureza na transformação dos elementos e exercendo seu papel de cocriador, ao produzir e aperfeiçoar tudo o que tem sido possível ao longo da jornada evolutiva.

Diversas escolas esotéricas e filosofias espiritualistas têm apresentado à humanidade princípios espirituais, até então ocultos, que regem a evolução individual e universal, abordando o tema de diversas formas e com diferente profundidade, todas elas contribuindo para a ampliação do entendimento humano de si mesmo, do mundo e da vida.

O Espiritismo, como ciência da alma, segundo a proposta de Allan Kardec, estuda as leis naturais que regem os fenômenos da natureza, inclusive os psíquicos e parapsíquicos. O Livro dos Espíritos – a obra básica da codificação – estabelece, na parte 3ª, As Leis Morais, que, além das normas que regulam o mundo material, outras existem que regem aspectos sutis e morais da vida. Nessa obra há revelações sobre diversas leis às quais estamos subordinados e que imperam na existência de todos os seres.

O livro Justiça Divina, de Emmanuel (espírito), psicografado por Chico Xavier, traz reflexões sobre O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. Aborda a atuação da lei de causa e efeito com belos e esclarecedores exemplos, ampliando e aprofundando a visão espírita sobre o assunto.

Outra obra que merece destaque é Leis Morais da Vida, de Joanna de Ângelis (espírito), psicografada por Divaldo Franco. O livro traz comentários e elucidações sobre os referidos capítulos de O Livro dos Espíritos, ampliando os horizontes sobre o tema.

O Espiritismo, através dos livros citados e de muitos outros, traz a compreensão de que tudo é regido por leis, expressões do psiquismo divino, não somente no plano físico, mas em todos os âmbitos e dimensões do Universo. A onipresença das leis naturais é, pois, expressão da onipresença divina, e a ação perfeita e infalível das leis reflete a onipotência do Criador.

Se, no atual estágio evolutivo da humanidade, ainda não somos capazes de sentir a presença divina em nosso próprio ser, podemos, até certo ponto, perceber a atuação da divindade pelos princípios que regem todos os fenômenos da existência.

A compreensão das leis naturais, principalmente as que dizem respeito ao espírito, traz novas possibilidades de crescimento ao ser humano e o habilita a mais amplas conquistas, ao mesmo tempo que lhe amplia a responsabilidade pelo conhecimento mais abrangente.

Ensinamentos ofertados e exemplificados pelos instrutores da humanidade afirmam que a obediência às leis divinas, o viver em harmonia com elas, é a melhor garantia para uma vida mais plena, livre e feliz, pois elas impulsionam e orientam todos os seres para o desenvolvimento da consciência e a plenitude à qual estamos todos destinados. A compreensão dessa verdade muito nos auxilia a uma vida mais harmoniosa e responsável, pois sabemos que todas os nossos atos têm consequências, cujos efeitos serão naturalmente proporcionais às ações praticadas.

Aceitar o princípio de que a vida é regida por leis perfeitas e infalíveis, e que o objetivo supremo da vida é a evolução, e, consequentemente, a crescente felicidade de todos os seres, traz uma nova perspectiva à existência humana, que passa a contar com um referencial superior para todas as suas ações. Quem atinge esse nível de compreensão passa a assumir plena responsabilidade pela própria vida, sabendo que tudo o que lhe acontece é fruto de ações praticadas por ele mesmo no passado próximo ou remoto. Torna-se cada vez mais cumpridor do dever pelo amor ao trabalho e enxerga nos desafios da existência excelentes oportunidades de exercitar e desenvolver as aptidões e qualidades da alma. Aceita o concurso da dor e do sofrimento, quando inevitáveis, como mecanismos purificadores, retificadores e impulsos evolutivos ainda necessários ao ser humano no atual nível evolutivo planetário.

Quem desenvolve maior compreensão das leis espirituais que regem a vida passa a cooperar com elas, na condição de ser consciente, cumprindo a parte que lhe cabe na obra da Criação, o que é fonte de imensa satisfação e alegria, conforme tem demonstrado a vida de todos os grandes seres que conseguiram tal realização.

Certamente existem inúmeras leis, tanto materiais como espirituais, que ainda são completamente ignoradas pelo ser humano, e que somente serão descobertas em fases futuras da evolução terrena. Como tudo obedece a desígnios superiores, à medida que o ser humano se harmonizar com as leis estabelecidas e se integrar mais conscientemente aos propósitos divinos, mais se ampliarão os horizontes que a compreensão humana poderá abarcar.

As leis divinas já conhecidas são mais do que suficientes para que saibamos, se quisermos, o que devemos fazer ou não, cabendo a cada um a responsabilidade pelas decisões que tomar. Nesse sentido, as revelações espiritualistas em geral, e a espírita em particular, convidam a todos para que se harmonizem com a vida universal e sua ordem, em benefício de si mesmos, bem como de todos os seres.