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Por André de Paiva Salum em 08/04/2016

As influências espirituais negativas sobre as pessoas têm sido relatadas em inúmeras culturas, povos e sociedades. Cada grupamento social, dependendo das crenças que professa, aborda o problema de modo particular. Existem, portanto, inúmeras formas de se tratar da questão. Há exorcismos, rituais de purificação, sacrifícios, tratamentos variados, muitos dos quais eivados de temores, preconceitos, ignorância e ações desnecessárias quando não prejudiciais.

Uma das mais notáveis contribuições da Doutrina Espírita diz respeito ao tratamento dos fenômenos obsessivos. Com abordagem única, o Espiritismo traz ferramentas aprimoradas à correta solução das ocorrências, desde a obsessão simples até os desafiadores casos de subjugação, ou os mais difíceis, os de fascinação, em que o discernimento e a lucidez encontram-se comprometidos.

O Espiritismo inaugurou uma nova era na abordagem dos fenômenos mediúnicos, dentre os quais a obsessão, e foi além, ao propor uma terapêutica especializada que vem sendo implementada com excelentes resultados, porque fruto de observação, estudo, orientações seguras do mundo espiritual superior e experiências bem-sucedidas.

Muitas são as tradições e escolas espiritualistas que, de uma forma ou de outra, tratam dos fenômenos mediúnicos e obsessivos, e todas dignas do máximo respeito, mas, a nosso ver, nenhuma oferece tantos instrumentos para a adequada solução das perturbações obsessivas nem traz tanta compreensão quanto aos procedimentos preventivos e terapêuticos em tais casos.

A bibliografia espírita é rica fonte de ensinamentos no que diz respeito à desobsessão, com livros notáveis, como os dos espíritos André Luiz e Manoel Philomeno de Miranda. Nessas obras explica-se minuciosamente a complexidade dos fenômenos obsessivos, os procedimentos diagnósticos feitos pelos instrutores espirituais e os esforços que empreendem no atendimento aos enfermos dos dois lados da vida – encarnados e desencarnados – todos igualmente necessitados de atenção, cuidado e ajuda.

Quando a obsessão se estabelece, principalmente a de caráter mais grave, a terapia desobsessiva oferecida pelo centro espírita revela-se de especial importância. Nos núcleos espíritas bem estruturados há equipes especializadas no mister desobsessivo, compostas por médiuns que se prestam às manifestações dos irmãos desencarnados perturbados, outros médiuns de apoio e orientadores, além das equipes de desencarnados aptas a realizarem as tarefas mais difíceis e elaboradas, muitas delas na grandeza do anonimato e motivadas pela genuína compaixão e pelo amor fraterno.

Não é demais enfatizar que a equipe de trabalhadores da desobsessão jamais deve interferir em outros tratamentos a que o paciente esteja se submetendo, sejam médicos ou psicológicos. A desobsessão, quando conta com a colaboração efetiva do paciente – o que é sempre desejável, mas nem sempre possível num primeiro momento – pode ajudar, e muito, na melhora de diversos sintomas, até mesmo físicos, obviamente aqueles oriundos da ação perturbadora do desencarnado.

Para se participar de serviços mediúnicos de desobsessão é necessário possuir vários atributos, frutos do esforço próprio, os quais são imprescindíveis ao bom resultado nos labores dessa natureza. Disciplina, paciência, perseverança, abnegação, respeito pelo sofrimento alheio, conhecimento doutrinário, segurança mediúnica e boa vontade são alguns dos pré-requisitos ao bom funcionamento da equipe devotada à sublime e delicada tarefa da desobsessão.

As orientações espíritas por via mediúnica a respeito do assunto ressaltam a importância de se tratar o desencarnado, atualmente no papel de obsessor, com o mesmo cuidado e atenção dedicados ao encarnado – o obsidiado, sem vitimizar ninguém nem emitir qualquer juízo de valor quanto à conduta alheia. O esclarecimento fraterno, a sugestão de renovação interior e, sobretudo, a irradiação do amor, são valiosos medicamentos às almas em sofrimento nos dois planos da existência.

O Espiritismo, ao revelar as leis naturais que regem o destino humano, enfatiza que só se colhe o que se haja semeado, e que qualquer processo obsessivo atual (exceto os casos de provação a que se está sujeito na Terra) tem suas raízes no passado reencarnatório do obsidiado, motivo pelo qual a transformação moral deste é fator essencial para que haja possibilidade de cura da obsessão. Nos casos mais difíceis e prolongados, a paciência, a perseverança no bem e a resignação constituem recursos protetores que asseguram o bom termo do caminho desobsessivo. Nesse sentido a Doutrina Espírita oferece rico material para estudo e reflexão, necessários ao autoconhecimento e consequente autotransformação – único caminho que conduz à definitiva e verdadeira libertação.

Importante ressaltar que, da mesma forma que as imperfeições e dívidas cármicas da criatura permitem e promovem a sintonia com os adversários desencarnados que passam a persegui-la e perturbá-la, as virtudes conquistadas e cultivadas constituem a fortaleza interior inexpugnável, refúgio e proteção que todos possuem, desde que passem a viver em harmonia com as leis divinas e reparem os erros passados pela prática incessante do bem. Desse modo, a verdadeira e definitiva desobsessão, em essência, é uma autodesobsessão, um processo de autocura. Até que se alcance esse nível de plena liberdade, o serviço fraternal de desobsessão continua sendo abençoado recurso que reflete a misericórdia divina personificada nos trabalhadores do bem presentes nos dois planos da vida.