contato@uniaoespiritadepiracicaba.com.br (19) 9 9698 3606

Por André de Paiva Salum em 24/08/2015

Nas experiências da vida, quantas vezes nos vemos diante de desafios que não sabemos como enfrentar, de problemas que nos parecem acima da nossa capacidade de solução, de sofrimentos que aparentam estar além das nossas forças? Em diversas situações de crise, dúvida ou receio, procuramos algo que nos fortaleça, oriente e ilumine nos caminhos da existência.

Após tentativas frustradas e buscas infrutíferas, frequentemente não há saída aparente para as circunstâncias em que nos encontramos. Quando as soluções humanas se mostram impotentes para resolver algum problema complexo, desde que não resvalemos no desespero nem abdiquemos da fé, só nos resta a entrega aos desígnios superiores, o abandono e a confiança na vontade do Pai.

No atual nível evolutivo da humanidade, muitas vezes é nos momentos de grave crise ou de intenso sofrimento que o ser se abre para uma busca espiritual e para novos caminhos. Enquanto o amor não reina no coração humano, a dor ainda é necessária para despertar a consciência e retirá-la das ilusões em que teima permanecer.

A entrega a Deus não é fruto de impulsividade nem ato intempestivo, mas segura atitude de quem confia na Suprema Sabedoria para conduzir sua vida. Mas, como saber se estamos realmente nos entregando ao Criador? Essa pergunta só pode ser respondida pela voz da consciência, que fala no silêncio da alma. Por isso a quietude interior, a oração e a meditação são essenciais. Quem cultiva a prece e o silêncio interior consegue ouvir a consciência, que é a voz do Criador no interior da criatura, como também capta, pela inspiração, as sutis orientações dos guias espirituais.

O discernimento, expressão da sabedoria, é fundamental para se perceber se o caminho escolhido é fruto da entrega aos desígnios divinos ou simplesmente aos apelos do ego humano. No início pode ser difícil diferenciar entre o que provém do ego e os impulsos superiores, mas, à medida que se persevera, as instruções continuam a chegar, e seu reconhecimento vai se tornando cada vez mais claro. É necessário que se cultivem ideais elevados para criar um ambiente interno propício ao florescimento das virtudes divinas latentes em todos nós.

A entrega a Deus não elimina, de forma nenhuma, as tarefas que devem ser executadas pela pessoa nem os testemunhos que a aguardam, mas a preenche de força, coragem e serenidade, as quais não podem ser obtidos do mundo material nem de circunstâncias exteriores.

As leis divinas são manifestações da presença de Deus no Universo, e uma forma de nos entregarmos ao Criador é tomarmos conhecimento das leis espirituais que regem a existência e procurarmos viver em harmonia com elas. A obediência voluntária às leis que já conseguimos reconhecer e compreender significa nossa submissão aos desígnios divinos.

A entrega ao serviço altruísta canaliza energias que fortalecem e sustentam o ser na jornada ascensional. Servir é um modo de nos exercitarmos na lei do amor. Quem serve com alegria demonstra que já vive em sintonia com princípios superiores da vida, portanto já sente em si mesmo a presença divina e a felicidade dela decorrente.

No processo de desenvolvimento da consciência são necessárias etapas preparatórias, ao longo das reencarnações, até que se consiga, finalmente, uma completa entrega a Deus. A superação de desejos e preferências pessoais, dos caprichos do ego, dos inúmeros aspectos do orgulho, são formas de se purificar de energias densas e assim habilitar-se a campos de serviço mais amplos.

A Doutrina Espírita, admirável síntese de verdades espirituais adequadas à época atual, traz valioso conteúdo para a compreensão das leis, princípios e mecanismos evolutivos a que estamos submetidos enquanto vinculados ao planeta Terra. O Espiritismo, com sua mensagem didática e de aplicação aos diversos aspectos do cotidiano, oferece rico material a ser trabalhado para o despertar da consciência espiritual, processo que culmina inevitavelmente na total entrega da criatura ao programa evolutivo do Criador.

Enquanto existe conflito entre as necessidades evolutivas e os desejos pessoais, ainda não ocorreu uma entrega verdadeira. Por enquanto oscilamos entre nossos mais altos ideais e os interesses inferiores e vícios milenares que trazemos como herança de nosso passado. Cabe-nos um trabalho paciente e perseverante de autotransformação até que consigamos nos despojar do primitivismo e egoísmo que por enquanto nos caracterizam para, então, nos habilitarmos ao cumprimento incondicional da Vontade Divina.

Todo aquele que se descobre como espírito em processo evolutivo reconhece um programa superior a lhe orientar os passos, e se entrega com alegria ao seu cumprimento. Para isso, passa a cultivar um novo modo de vida, mais simples, verdadeiro e sincero, com menos exigências e caprichos pessoais, menos desejos, ambições e vícios, e mais empenho em se autossuperar, mais perseverança no exercício das virtudes e a firme decisão de seguir no caminho da Luz.

A plena entrega a Deus não pode ser compreendida em profundidade por quem, como nós, ainda está em aprendizado de lições preliminares. Mas podemos, tanto quanto possível, seguir o exemplo dos que já realizaram a aventura da transcendência de si mesmos, da passagem do ego para o Eu, do homem velho para o homem novo, cujo modelo sublime foi o Mestre Jesus, que aceitou a missão de amor incondicional em benefício da humanidade sofredora e ignorante, submetendo-se integralmente à vontade do Pai, conforme afirmou e viveu, dando-nos o maior exemplo de completa entrega e total confiança no Criador.