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Por André de Paiva Salum em 06/01/2017

Aspecto fascinante da Doutrina Espírita, além de todo o conteúdo doutrinário, é seu caráter progressivo, sua construção permanente e seu desenvolvimento e ampliação, desde Kardec até os nossos dias, processo que prossegue incessantemente.
Característica que traz imensa vitalidade ao Espiritismo é que, sem fugir aos fundamentos doutrinários, permanentemente se enriquece e se amplia, em obediência a uma das leis apresentadas pela própria doutrina – a evolução.

Sabendo que tudo evolui, inclusive as religiões e filosofias espiritualistas – motivo pelo qual o Espiritismo surgiu e tem se desenvolvido na época atual –, podemos compreender que, mais do que outras manifestações religiosas, a Doutrina dos Espíritos acompanha o progresso da humanidade em todas as direções.

Embora respeitemos aqueles que se preocupam com a chamada pureza doutrinária, cremos serem inúteis quaisquer tentativas de se restringir o avanço da Doutrina Espírita, pelas revelações dos desencarnados, as quais não cessam de chegar e ampliar o universo do saber espírita. Nesse contínuo movimento há revelações sobre assuntos que não foram sequer citados pelo codificador, só vindo à tona em obras muito posteriores a Kardec.

Podemos exemplificar nossa afirmativa com a série André Luiz, composta de 13 volumes, sobre a vida nos planos sutis da Terra, baseada em experiências do próprio autor espiritual. Nessa série há incontáveis informações, as quais sequer foram mencionadas por Kardec, portanto não fazem parte dos fundamentos da Doutrina Espírita, mas constituem seu natural desdobramento e complementação. Hoje em dia tais informações se encontram incorporadas ao patrimônio doutrinário, tamanho o alcance e a aceitação que tiveram no meio espírita, pela qualidade do conteúdo e pela incontestável idoneidade do médium que serviu de instrumento à sua realização. Por exemplo, na obra Missionários da Luz, terceiro volume da referida série, há um capítulo intitulado Epífise, sobre a fisiologia da glândula pineal e suas funções parapsíquicas e mediúnicas. Nesse e em outros livros o autor traz revelações até então inéditas na bibliografia espírita, o que não impediu sua ampla aceitação e integração aos conhecimentos doutrinários tradicionais.

Buscando exemplos de outros assuntos, podemos citar os corpos sutis e os centros de força, ou chacras, que foram temas abordados por André Luiz, Joseph Gleber e Ramatis, dentre outros autores desencarnados, sendo atualmente temas corriqueiros em muitas obras espíritas.

Dando sequência à revelação espírita, Joanna de Ângelis, pelo médium Divaldo Franco, tem escrito uma série de livros sobre psicologia, particularmente sob a visão junguiana, a qual não existia na época de Kardec. A referida mentora espiritual também escreveu textos com abordagem budista, no livro Plenitude, ampliando os horizontes do conhecimento humano.

Divaldo Franco realizou conferências e escreveu um livro sobre as crianças índigo – as crianças da Nova Era –, comentando sobre os diferentes tipos de almas de outros planetas que têm reencarnado na Terra com características específicas de personalidade, tipo psicológico e aptidões, a fim de cooperar positivamente para a atual transição planetária.

O referido médium baiano realizou um seminário sobre o mestre indiano Sathya Sai Baba, a quem conheceu pessoalmente quando esteve na Índia. No seminário, revelou interessantes informações espirituais sobre esse instrutor mundialmente conhecido, bem como acerca do yoga e do Hinduísmo. Divaldo afirma que passou a aplicar na Mansão do Caminho – instituição que dirige na Bahia – os métodos de educação ensinados e usados nas escolas orientadas por Sai Baba.

Emmanuel, através de Chico Xavier, no livro O Consolador, traz algumas instruções que (aparentemente) contradizem princípios doutrinários estabelecidos por Kardec, como por exemplo em relação à alimentação de origem animal e à existência das almas gêmeas. Esses assuntos (também abordados por outros autores espirituais, como Irmão X, André Luiz, Miramez e Ramatis), mereceram de Emmanuel considerações que divergem daquelas apresentadas em O Livro dos Espíritos. Por ser uma obra básica, o primeiro livro da Codificação não poderia tratar de assuntos tão complexos com a devida profundidade. Eis um dos motivos pelos quais o saber espírita continua a se expandir incessantemente.

Esses exemplos, dentre inúmeros outros, mostram como existem questões complexas e profundas, cuja solução e resposta nos são reveladas progressivamente, na medida do amadurecimento consciencial da humanidade.

Certamente continuaremos entrando em contato com novas revelações espirituais, muitas das quais poderão nos causar estranheza, perplexidade ou mesmo ser rejeitadas, o que é compreensível. Allan Kardec recomendou analisar tudo com senso crítico, discernimento e lucidez, sem aceitar nada que fuja à lógica e à razão. Ocorre, entretanto, que muitas verdades, quando anunciadas pela primeira vez, podem gerar desconfiança, receio ou resistência, até que sejam confirmadas por outas fontes espirituais, bem como estudadas, assimiladas e finalmente aceitas por uma parcela significativa das pessoas.

No caso dos exemplos acima citados, não ocorreu, a princípio, a concordância de múltiplas fontes sobre os assuntos, ou seja, não se obedeceu ao controle universal do ensino dos espíritos, conforme recomendou Kardec, pois se esse critério fosse seguido rigidamente, muitas obras espíritas consagradas não haveriam sido publicadas na data em que vieram a lume. Até hoje há revelações que geram polêmicas e controvérsias, ao tratar de temas diferentes dos abordados por Kardec, ou quando trazem novas informações sobre temas conhecidos. Em ambos os casos, é preciso estudar cuidadosamente os assuntos, usar o bom senso e, diante de dúvidas ou incertezas, aguardar novas revelações mediúnicas confiáveis, que são a fonte principal de mensagens transcendentais da Doutrina Espírita.

Lembrando as recomendações do codificador, citamos o trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução – item II: Autoridade da Doutrina Espírita – Controle Universal do Ensino dos Espíritos:

“A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares.”