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Por André de Paiva Salum em 11/06/2014

Os movimentos espiritualistas se caracterizam, dentre outras práticas, pela reunião dos fiéis nos templos destinados à adoração e aos serviços religiosos particulares a cada crença. É natural que os indivíduos, congregados em torno de uma religião comum, encontrem-se em locais predeterminados para as atividades relativas à sua fé.

Os seres humanos sempre se reuniram para atividades espirituais. A história tem registrado os locais considerados sagrados, desde as civilizações antigas até os dias atuais, dedicados aos cultos religiosos.

O templo, igreja ou santuário de qualquer religião ou filosofia espiritualista reúne seus membros para realizarem as atividades programadas e deliberadas segundo as diretrizes da crença que professam.

No Cristianismo primitivo, sabemos, pelos relatos do Novo Testamento, que Paulo de Tarso, em seu apostolado, fundou igrejas, que eram as sedes das comunidades cristãs nascentes. Desde aqueles tempos os cristãos se reuniam para orar, fortalecer-se na fé, estudar os textos sagrados e realizar tarefas comunitárias para o bem comum. 

Quando se constroi um templo e nele se reúnem pessoas com um ideal comum, à medida que as práticas se sucedem no tempo, cria-se uma atmosfera energética específica, uma aura do local, resultado das orações, meditações, estudos e demais atividades cultivadas no seu interior. Quanto mais regulares, sinceras e coesas forem as práticas em determinado templo, mais intensas serão as energias ali mobilizadas.

Um templo religioso, pela sua natureza e funções, promove a abertura e a manutenção de canais energéticos com os planos sutis, de onde provêm instrução, inspiração, proteção e energias de cura. Esses planos sutis correspondem ao padrão de conduta dos adeptos que frequentam a instituição, bem como aos princípios que se esposam em seu interior. Portanto, muito mais importante que a estrurtura física, é a estrutura moral da casa de oração que lhe assegura a integridade. São os valores e princípios elevados, refletidos na pureza de atitude dos seus membros, que garantem a assistência amorosa e sábia dos espíritos superiores.

Toda igreja ou núcleo religioso conta com o amparo de seres desencarnados que velam pelo bom andamento das atividades propostas a se realizarem no local. Cada templo conta com assistência espiritual específica, de acordo com o nível evolutivo e os anseios dos seus frequentadores. Portanto, qualquer templo, para que se torne local realmente sagrado, irradiando a bênção de Luz que recebe do Alto, necessita que nele sejam sempre cultivados a pureza, o amor e a sabedoria.

As características mencionadas explicam alguns dos motivos por que ocorrem curas em determinados centros espirituais e santuários, em diversas partes do mundo.

O Espiritismo, como doutrina espiritualista, conta com os centros espíritas, que são os núcleos de atividades doutrinárias a serviço dos ideais cristãos ali praticados. Graças à visão progressista e sistêmica da Doutrina Espírita, a instituição espiritista, além de templo de oração e adoração, converte-se em núcleo de ação, através das suas atividades como escola, hospital de almas e oficina de serviço aos necessitados de toda ordem.

A Doutrina Espírita esclarece que o centro espírita, na função de templo religioso, promove a comunhão com os guias espirituais e mensageiros do Alto, favorecendo a introspecção, a reflexão e o consequente trabalho de autoiluminação. O centro espírita oferece inúmeros recursos para o autoaprimoramento, através de cursos, estudos e práticas para que, fora dele, se dê a vivência, o testemunho e consolidação das lições recebidas.

A prática dos princípios espíritas jamais se restringe ao interior dos seus centros, pois não existem paredes físicas que delimitem as virtudes nem locais exclusivos onde se possa ouvir a voz da consciência.

Quando Jesus foi questionado pela samaritana sobre onde se deveria adorar a Deus, se no monte ou no templo de Jerusalém, o Mestre respondeu: “...Mas chegará a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; pois são esses que o Pai procura. Deus é Espírito, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram”. (João 4, 23-24).

O Mestre nos faz compreender que o local mais importante para se adorar o Criador é o próprio espírito, no altar da consciência pacificada pela prática do bem. O templo interior é o espaço sagrado onde sempre podemos estar em comunhão com o Pai, sentindo-Lhe a presença no santuário da alma.

Até que manifestemos a Religião Cósmica do Amor é natural que ainda sejam necessárias as religiões e os templos materiais para os cultos diversos. Mas quando estivermos plenamente conscientes da Divina Presença em nós mesmos e em todo o Universo, não mais precisaremos frequentar locais externos para a prática religiosa, pois nosso existir haverá se transformado em religião viva e permanente, e nosso ser será o templo em que o divino será cultuado através do amor.