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Por André de Paiva Salum em 05/12/2016

A obsessão é tema sempre presente nos estudos espíritas, pela sua alta incidência, por seus efeitos danosos nos indivíduos e na coletividade, bem como pela importância do seu correto diagnóstico e adequado tratamento.

Além da classificação proposta por Allan Kardec, que a diferencia em obsessão simples, fascinação e subjugação, há um tipo de processo obsessivo menos evidente que afeta grande parte da humanidade terrestre, reflexo do atual nível evolutivo humano, e que, na maior parte das vezes, passa despercebida até mesmo dos trabalhadores vinculados ao Espiritismo.

Manoel Philomeno de Miranda (espírito), pela psicografia de Divaldo Franco, aborda em diversos livros o tema da obsessão e seu tratamento sob a óptica espírita, e na obra Painéis da Obsessão fala especificamente das obsessões sutis e perigosas.

As influências obsessivas sutis são forças que se insinuam muito discretamente nas ideias, nos sentimentos e nas ações dos encarnados. Podem surgir como a sugestão imperceptível que faz a pessoa adiar a reconciliação com o suposto adversário; a justificativa aparentemente plausível para a sua omissão; o argumento pretensamente lógico que justifica a recusa em servir. Pode ser o orgulho dissimulado como honra; a vaidade, sob o disfarce de cuidado; a astúcia, que permita leve concessão à desonestidade; o falso autoperdão diante da perpetuação de um vício ou comportamento inadequado; a aceitação de ideias esdrúxulas, absurdas ou destrutivas, que procuram desvirtuar algum princípio ou conceito elevado, sob o pretexto de respeito à diversidade de opiniões; o sorriso de conivência com o erro; a insinuação sorrateira da malícia nos vínculos afetivos e fraternos...

Se a obsessão em geral requer, para sua erradicação, a transformação moral do indivíduo, cremos que aquela de natureza sutil requisita uma autoanálise ainda mais profunda, até a retirada dos véus do orgulho e da vaidade. A cuidadosa remoção desses véus requer a madura capacidade de autoenfrentamento, o reconhecimento da própria falibilidade e, portanto, da necessidade constante de vigilância e oração. Geralmente quem padece de processos obsessivos menos evidentes crê-se acima e além dessa condição, acreditando-se invulnerável às influências perniciosas das sombras, o que, na verdade, facilita o aprofundamento da perturbação. Mais difícil de ser diagnosticada, porque menos ostensiva, esse tipo de obsessão se vale de um orgulho mais dissimulado por parte de quem lhe sofre a injunção. Daí a necessidade, para sua erradicação, de humildade e sincero desejo de autotransformação e cura.

Qualquer obsessão sutil, se não for convenientemente reconhecida e tratada, pode se transformar em transtornos mais graves, profundos e duradouros e, caso persista por um longo período, pode ter consequências funestas sobre a vida humana.

Os processos obsessivos menos evidentes nos mostram que não devemos cuidar apenas dos vícios e defeitos mais facilmente reconhecíveis, mas de pequenas falhas de caráter aparentemente insignificantes, diminutas brechas na nossa conduta, na nossa integridade, as quais, caso cresçam descontroladamente, podem comprometer toda uma existência, do mesmo modo que pequena ferida em um corpo debilitado pode provocar a disseminação de uma infecção por todo o organismo.

Independentemente do caráter sutil ou ostensivo da obsessão, ela sempre revela os pontos desarmônicos e sombrios do psiquismo e da conduta humana, os quais geram e possibilitam sintonia e afinidade com outros seres de teor mental semelhante, desencarnados ou não. A Doutrina Espírita, ao abordar o tema com a necessária profundidade, salienta a importância e urgência de um sincero exame de consciência, oferecendo recursos preciosos que, se bem utilizados, abreviam e facilitam o despertar da consciência espiritual com vistas à autoiluminação, destino de todos nós.