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Por Setor de comunicação em 24/02/2012


Se há um aparente consenso relacionado à imortalidade da alma por parte da grande maioria das religiões, o mesmo não acontece quando o assunto é o destino desta alma após a morte do corpo físico.

Ocorre que depois de algum tempo percorrendo os caminhos da vida, após algumas conquistas e outras tantas derrotas, entre erros e acertos, alguns amigos conquistados e outros tantos inimigos não declarados, acabamos enfim, por exaurir todas as forças de nosso envoltório material e nos entregamos inevitavelmente à morte.

O Céu

De acordo com a crença comum, em dado momento após a morte, seríamos submetidos a um julgamento, e com base em nossas atitudes durante a vida na Terra, poderíamos ou não nos juntar ao seleto grupo dos merecedores da felicidade eterna, junto dos santos e dos eleitos de Deus.

Se nossa história de vida não foi exatamente um exemplo, ainda assim, poderíamos confiar na misericórdia de Deus, que ante ao nosso sincero arrependimento, perdoaria todos os nossos pecados, para que purificados, enfim, pudessemos compartilhar da mesma felicidade reservada aos justos.

O Inferno

Qual seria então a sorte daquele que possui sim, mais falhas que acertos, mais pecados que virtudes e morre antes mesmo de ter tempo ou oportunidade de pensar no assunto, ou mesmo de arrepender-se de seus pecados?

Esta seria a situação do jovem, que embriagado pelo álcool e pela falsa idéia de infalibilidade, choca seu carro contra um poste e encontra a morte precocemente, ou dos suicidas, vítimas de transtornos mentais e emocionais, que num instante de cólera e desespero, acabam pondo fim a própria vida, ou mesmo da criança que morre em tenra idade, vítima de doença incurável, e até mesmo dos selvagens, que ainda nos dias de hoje habitam as mais diversas regiões do globo, e que nunca conheceram tais ensinamentos, em suma, esta seria a situação da grande maioria dos viventes. A este grupo estaria reservado uma eternidade de sofrimentos indescritíveis no fogo do inferno?

A Justiça de Deus

Qual pai permitiria que seu filho sofresse toda sorte de provações, sabendo que o mesmo não estava preparado para isto, e ainda assim o castigaria pelo fracasso de forma implacável, fulminante e definitiva?

Sendo Deus onisciente, isto é, conhecedor de todas as coisas, incluindo passado e futuro, não parece incoerente que ao conceber suas criaturas, Ele já não conheça o destino de cada uma delas? Não sabe Deus em que provas cada um de nós há de falhar? Se não sabe, não é onisciente. Se sabe, é cruel, pois estaria criando um ser fadado ao sofrimento eterno.

Deus é soberanamente justo e bom, a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, onipotente, onipresente e infinito em todas as suas perfeições. Um sopro de sua vontade poderia abrasar a Terra e todos os seus habitantes. Por que Deus castigaria sua própria criatura, que em sua pequenez, nada poderia contra Ele?

Deus criou as todas as leis que regulam o universo, as leis naturais e morais, entre elas a Lei de Causa e Efeito. Todos estamos submetidos a estas leis, de maneira que quando incorremos em erro, sofremos as consequências desta ação. Deus não julga, ele somente faz cumprir Sua lei. Desta forma, nós sempre somos responsáveis por nosssos sofrimentos e não Deus.

Ou Céu ou Inferno?

Como poderia haver somente dois destinos para tamanha variedade de histórias e circunstâncias tão distintas? Se não sou merecedor do céu, também não sou do inferno. A pena não deveria ser compatível com a gravidade da falta cometida? Que diria, se nossa justiça terrestre punisse com a pena de prisão perpétua, tanto o pequeno delinquente que roubou para saciar a fome, quanto o assassino frio que enpenhou toda a sua inteligência para premeditar com requintes de crueldade, seu crime de ódio e vingança. Esta crença é tão incoerente que anula-se por si própria, após qualquer análise racional mais cuidadosa.

A Felicidade Suprema

O Paraíso não é um lugar físico para onde seremos enviados, após nosso julgamento. O paraíso é ser perfeito. O Espírito que progrediu adquire novas faculdades e percepções, e consequentemente a capacidade de gozar dos esplendores e da felicidade que os Espíritos inferiores desconhecem.

A felicidade está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto outro, unicamente por não possuir o mesmo adiantamento intelectual e moral, sem que por isso precisem estar, cada qual, em lugar distinto. Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos: este percebe a luz da qual aquele não recebe a mínima impressão.[1]

[1] Allan Kardec. O Céu e o Inferno - 1ª Parte, Capítulo 3, item 6.
Fonte: Cavalcante, José Benevides (2011), Fundamentos da Doutrina Espírita. Capivari-SP, Editora EME